O governo federal projeta entregar mais 400 Unidades Odontológicas Móveis (UOMs) até o mês de março deste ano. A informação foi divulgada na última terça-feira (28) pelo coordenador-geral de Saúde Bucal do Ministério da Saúde, Edson Hilan Gomes de Lucena, durante o Congresso Internacional de Odontologia de São Paulo, realizado no Expo Center Norte, na capital paulista.
Com as novas entregas, o país passará a contar com um total de 800 unidades móveis, somando as 400 já distribuídas em 2025. “Vamos chegar a 800 novas unidades até março, que serão destinadas a todas as unidades da federação”, afirmou Lucena em entrevista à Agência Brasil.
As Unidades Odontológicas Móveis integram o programa Brasil Sorridente, política nacional de saúde bucal voltada à ampliação do acesso aos serviços odontológicos. A iniciativa prioriza populações em situação de maior vulnerabilidade, como povos indígenas, comunidades quilombolas, moradores de assentamentos rurais e pessoas em situação de rua.
Segundo o Ministério da Saúde, as unidades oferecem desde atendimentos básicos da atenção primária até procedimentos especializados, como tratamentos endodônticos e confecção de próteses dentárias. “O Brasil Sorridente tem o dever de garantir cuidados em saúde bucal para toda a população brasileira”, destacou o coordenador-geral.
Cada unidade móvel funciona como um consultório odontológico completo, equipado com cadeira, raio X e instrumentos para restaurações, extrações e ações preventivas. O objetivo é levar as equipes de saúde bucal a territórios de difícil acesso, como áreas rurais, comunidades isoladas e regiões ribeirinhas.
Um exemplo ocorreu em setembro do ano passado, no município de Mâncio Lima, no Acre. A chegada de uma UOM permitiu o atendimento odontológico de populações ribeirinhas, com a adaptação da unidade em uma balsa para alcançar comunidades por meio dos rios da região.
Durante o congresso, Lucena também anunciou a ampliação dos serviços ofertados pelas unidades móveis. A proposta é incorporar tecnologias digitais que permitam a realização de tratamentos de canal e próteses dentárias com maior agilidade e precisão.
“Estamos desenvolvendo um projeto-piloto de prótese dentária com fluxo digital no município de Cavalcante, em Goiás. A ideia é lançar oficialmente essa iniciativa nos próximos dias”, explicou. Com a tecnologia, a arcada dentária do paciente é escaneada e a prótese produzida por impressão digital, permitindo que o usuário receba o equipamento em menos tempo. O governo prevê a doação de 500 kits de fluxo digital para municípios de diferentes regiões do país.
Criadas em 2009, durante o segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, as Unidades Odontológicas Móveis tiveram suas atividades interrompidas em 2015. O programa foi retomado em agosto do ano passado, com novos investimentos provenientes do Novo PAC Saúde.
O impacto positivo da iniciativa foi apontado por um censo coordenado pelo professor e pesquisador Ângelo Giuseppe Roncalli Costa Oliveira, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). O estudo avaliou 267 municípios que receberam unidades móveis até 2017 e indicou avanços significativos no acesso à saúde bucal.
“Em 75% das unidades avaliadas, gestores e dentistas relataram de forma unânime a ampliação do acesso. Muitas comunidades nunca haviam tido atendimento odontológico antes da chegada dessas unidades”, destacou o pesquisador.
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