O aumento das novas infecções por HIV na América Latina acendeu um alerta entre especialistas em saúde. O Relatório Global 2026 do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) mostra que, apesar dos avanços conquistados nas últimas décadas, a região registrou crescimento dos casos entre 2010 e 2025, diferentemente do cenário observado em outras partes do mundo.
O documento destaca que a ampliação do tratamento antirretroviral, o fortalecimento das estratégias de prevenção e o maior conhecimento sobre a doença contribuíram para reduzir o impacto da epidemia globalmente. Ainda assim, a evolução dos casos na América Latina evidencia a necessidade de ampliar as ações de prevenção e conscientização.
A farmacêutica Iangla Damasceno, do Hospital de Doenças Tropicais da Universidade Federal do Norte do Tocantins (HDT-UFNT/HU Brasil), destaca que a disseminação de informações sobre os métodos preventivos é fundamental para conter o avanço das infecções.
Entre as principais estratégias estão a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), indicada para pessoas com maior risco de contato com o vírus, e a Profilaxia Pós-Exposição (PEP), recomendada após uma situação de possível exposição ao HIV.
Segundo a especialista, quando utilizadas corretamente e acompanhadas por profissionais de saúde, ambas reduzem significativamente o risco de infecção.
A PrEP e a PEP são oferecidas gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mediante avaliação clínica realizada por equipes de saúde.
Além do acesso aos medicamentos, o acompanhamento inclui exames laboratoriais e orientações para garantir a eficácia e a segurança do tratamento.
De acordo com a especialista, fatores como o estigma, a baixa percepção de risco, a redução do uso de preservativos e a falta de conhecimento sobre métodos preventivos continuam contribuindo para o aumento das novas infecções.
Ela ressalta que combater a desinformação e ampliar o acesso à informação qualificada são medidas essenciais para reduzir a transmissão do vírus.
O Brasil mantém uma ampla rede de prevenção, diagnóstico e tratamento do HIV. A realização periódica do teste é uma das principais recomendações para pessoas sexualmente ativas, especialmente aquelas em maior situação de vulnerabilidade.
Em casos de exposição ao vírus, a orientação é procurar imediatamente um serviço de saúde para avaliação e possível início da PEP.
Dados do Ministério da Saúde mostram que o país registrou 38.222 novos casos de infecção por HIV em 2023. Em 2024, esse número subiu para 39.216 notificações.
No Tocantins, a distribuição da PrEP e da PEP ocorre em unidades localizadas nos municípios de Palmas, Araguaína, Porto Nacional, Gurupi e Paraíso, onde os pacientes passam por avaliação clínica antes do início da profilaxia.
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