Problemas que afetam os rins podem permanecer sem sintomas durante boa parte de sua evolução. Em muitos casos, os primeiros sinais aparecem apenas quando a função renal já está comprometida. Por isso, especialistas do Hospital Universitário de Lagarto (HUL-UFS), vinculado à HU Brasil, destacam a importância do acompanhamento preventivo e da identificação precoce de alterações.
O cuidado envolve a observação de fatores de risco e o acompanhamento dos pacientes em diferentes setores hospitalares, incluindo pronto atendimento, enfermarias e unidades de terapia intensiva.
Segundo o nefrologista e responsável técnico médico da Unidade do Sistema Urinário, Roberto Junior, a identificação rápida de alterações nos exames e no estado clínico pode permitir que a equipe intervenha antes que o quadro evolua.
“O reconhecimento rápido de alterações nos exames e no estado geral do paciente permite intervenções imediatas que reduzem significativamente os danos aos órgãos e podem evitar a necessidade de tratamentos mais invasivos no futuro”, afirma.
Embora algumas doenças renais não apresentem sintomas nas fases iniciais, determinados sinais podem indicar a necessidade de avaliação médica.
Entre eles estão:
- Inchaço persistente nas pernas, pés, mãos ou ao redor dos olhos, associado à retenção de líquidos;
- Mudanças no volume ou no aspecto da urina;
- Excesso de espuma na urina;
- Urina com coloração escura ou presença de sangue;
- Dificuldade repentina para controlar a pressão arterial;
- Cansaço persistente;
- Náuseas;
- Perda de apetite;
- Dor na região lombar.
Ao perceber alterações persistentes ou inesperadas, a recomendação é procurar uma Unidade Básica de Saúde ou um serviço de saúde para avaliação profissional.
O acompanhamento de pacientes com alterações renais depende da atuação integrada de médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem.
Os médicos são responsáveis pela avaliação clínica, diagnóstico e definição das estratégias de tratamento. Os enfermeiros acompanham a evolução do paciente e orientam sobre os cuidados necessários, enquanto os técnicos de enfermagem participam diretamente do monitoramento dos sinais vitais e do suporte aos procedimentos.
Nos casos em que há necessidade de Terapia de Substituição Renal (TSR), como a hemodiálise, são adotados protocolos específicos para garantir a segurança durante o tratamento.
De acordo com Lenilson Trindade, responsável técnico de enfermagem e chefe da unidade, os cuidados incluem medidas rigorosas de biossegurança, higienização e preservação dos acessos vasculares.
“Quando o paciente necessita de Terapia de Substituição Renal (TSR), o acompanhamento segue protocolos rígidos de biossegurança, higienização e preservação dos acessos vasculares, visando garantir a estabilidade do quadro e prevenir infecções”, explica.
A prevenção também está relacionada aos cuidados adotados no dia a dia. Manter uma hidratação adequada, por exemplo, contribui para o funcionamento normal dos rins e para a eliminação de substâncias que precisam ser filtradas pelo organismo.
Outra medida importante é manter sob controle doenças crônicas como hipertensão arterial e diabetes, que estão entre os fatores que podem comprometer a função renal.
Os especialistas também recomendam evitar o uso frequente de medicamentos, especialmente anti-inflamatórios e analgésicos, sem orientação de um profissional de saúde.
Uma alimentação equilibrada, com menor consumo de sal e alimentos ultraprocessados, também faz parte dos cuidados preventivos. O consumo excessivo de proteínas deve ser avaliado individualmente, especialmente por pessoas que já apresentam alterações na função dos rins.
A realização periódica de exames é uma ferramenta importante para detectar problemas renais antes do surgimento de sintomas mais evidentes.
Entre as avaliações utilizadas estão a dosagem de creatinina no sangue e exames de urina. A frequência deve ser definida conforme as condições de saúde e os fatores de risco de cada pessoa.
Pessoas com hipertensão, diabetes ou histórico familiar de doença renal devem ter atenção especial ao acompanhamento médico.
A identificação precoce de alterações permite iniciar medidas de controle e acompanhamento mais cedo, contribuindo para preservar a função dos rins e reduzir o risco de evolução para quadros mais graves.
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