A doação de medula óssea pode representar uma nova oportunidade para pacientes que enfrentam doenças graves do sangue. A história dos irmãos Igor e Rômulo Vicente mostra a importância de encontrar um doador compatível. Em fevereiro de 2007, aos 21 anos, Igor recebeu o diagnóstico de anemia aplásica severa, condição que compromete a produção das células sanguíneas e que, no caso dele, exigiu um transplante de medula óssea.
A solução estava dentro da própria família. Rômulo, então com 27 anos, apresentou compatibilidade total com o irmão e se tornou o doador. O primeiro transplante foi realizado em 28 de março de 2007, no Complexo do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (CHC-UFPR). Cerca de dois anos depois, porém, a doença voltou e Igor precisou passar por um segundo transplante, novamente com a doação de Rômulo.
“Eu não tive dúvida alguma. Eu estava de novo ali, totalmente disposto a salvar a vida do meu irmão”, contou Rômulo. Após o tratamento, Igor conseguiu retomar a rotina e voltou ao mercado de trabalho em 2011. Atualmente, trabalha como desenvolvedor de sistemas, é pai de três filhos e afirma levar uma vida normal. Para o irmão, acompanhar a recuperação também foi uma experiência marcante. “Estou superfeliz pelo meu irmão. Ele está bem hoje, está curado”, afirmou.
A medula óssea é responsável pela produção dos glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas. Segundo especialistas, o transplante pode ser indicado para doenças como leucemias, síndromes mielodisplásicas, alguns linfomas e mielomas, além de condições não malignas, como a aplasia de medula, determinadas imunodeficiências e doenças genéticas. A compatibilidade é verificada por meio da tipagem HLA, que identifica características genéticas entre doador e receptor.
Entre irmãos, a possibilidade de compatibilidade total é de aproximadamente 25%. Quando não existe um doador adequado na família, a busca pode ser feita nos registros nacional e internacional. No Brasil, os voluntários são cadastrados no Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome). Podem se cadastrar pessoas de 18 a 35 anos, em boas condições de saúde e com documento oficial de identificação com foto, respeitando os critérios médicos estabelecidos para a doação.
A diversidade genética também é importante para aumentar as chances de encontrar um doador compatível. Por isso, especialistas destacam a necessidade de ampliar e manter atualizados os cadastros. Informações como telefone e endereço precisam ser mantidas em dia para que o voluntário possa ser localizado caso seja identificado como possível compatível com um paciente.
A coleta da medula pode ocorrer de duas formas. Uma delas utiliza células-tronco retiradas do sangue periférico, após o doador receber medicamentos que estimulam a circulação dessas células. A outra é feita por meio de punção dos ossos da bacia, com o doador submetido à anestesia. De acordo com especialistas, os procedimentos são considerados seguros e a recuperação costuma ser rápida. Depois da coleta, as células são infundidas no paciente, que permanece internado até a nova medula começar a produzir células sanguíneas.
O Dia Mundial do Doador de Medula Óssea é celebrado no terceiro sábado de setembro e, em 2026, ocorre neste sábado (19). A data reforça a importância do cadastro de voluntários e da manutenção de registros diversificados. Para a hematologista Vaneuza Funke, doar medula é uma decisão que deve ser voluntária e consciente, mas pode representar esperança para pessoas que dependem de um transplante. A trajetória de Igor e Rômulo mostra como um doador compatível pode ser decisivo para a recuperação e para a retomada da vida após uma doença grave.
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