O Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) divulgou nesta quinta-feira (10) novas orientações sobre a frequência das consultas oftalmológicas em diferentes fases da vida. O documento foi apresentado durante o 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia, realizado em Salvador, e reforça que o acompanhamento periódico é importante mesmo quando não existem sintomas aparentes.
Segundo o CBO, a frequência das consultas deve levar em conta a idade, o histórico familiar e a presença de doenças ou outras condições que possam afetar a visão. Isso porque algumas doenças oculares evoluem de forma silenciosa e podem causar danos irreversíveis quando são descobertas tardiamente.
Na infância, o cuidado começa ainda na maternidade, com o teste do reflexo vermelho nas primeiras 72 horas de vida ou antes da alta. Entre 6 e 12 meses, a recomendação é realizar a primeira consulta oftalmológica completa. Dos 3 aos 5 anos, deve haver pelo menos uma nova avaliação. Na idade escolar e adolescência, o acompanhamento continua sendo importante, principalmente pelo aumento dos casos de miopia.
Para adultos de até 39 anos, o CBO recomenda avaliações periódicas mesmo sem queixas. A partir dos 40 anos, a orientação é de consulta anual, devido ao aumento da ocorrência de problemas como glaucoma e presbiopia, conhecida como vista cansada. Entre os idosos, o acompanhamento anual também deve ser mantido, com atenção especial para catarata, glaucoma e degeneração macular.
Algumas condições exigem cuidados ainda mais frequentes. Pessoas com diabetes devem passar por avaliação com as pupilas dilatadas desde o diagnóstico e manter acompanhamento regular, já que a doença pode provocar retinopatia diabética. Histórico familiar de glaucoma, miopia elevada, prematuridade, uso prolongado de corticoides e lentes de contato também podem exigir consultas em intervalos menores.
O CBO alerta ainda para pessoas com hipertensão, doenças reumatológicas e autoimunes ou que utilizam medicamentos com potencial de causar alterações oculares. O tabagismo também é considerado um fator de risco para a degeneração macular. Nesses casos, cabe ao oftalmologista definir a frequência adequada das avaliações de acordo com as características de cada paciente.
Na infância, o diagnóstico precoce é especialmente importante para evitar problemas que podem comprometer o desenvolvimento visual. Erros de refração não corrigidos estão entre as principais causas de deficiência visual entre crianças brasileiras e podem afetar o desempenho escolar e a socialização. A ambliopia, conhecida como olho preguiçoso, também pode ser prevenida ou tratada quando identificada no período adequado.
O CBO destaca que grande parte dos casos de deficiência visual e cegueira pode ser evitada ou tratada quando descoberta precocemente. Por isso, a recomendação é não esperar o surgimento de sintomas para procurar atendimento. A avaliação deve ser realizada por profissional habilitado e em locais que cumpram as exigências sanitárias e estruturais, garantindo um acompanhamento adequado da saúde dos olhos.
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