O número de casos suspeitos da contaminação misteriosa no Hospital Santa Rita, em Vitória, subiu para 88 na noite desta quarta-feira (29), segundo boletim atualizado da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa). Entre os suspeitos estão 63 funcionários, 15 acompanhantes e 10 pacientes, incluindo um em tratamento oncológico internado na UTI.
As internações relacionadas ao surto estão distribuídas por seis municípios capixabas: Cariacica, Colatina, Guarapari, Serra, Vitória e Linhares.
O aumento no número de notificações decorre de uma reclassificação de casos antigos, após a adoção de novos critérios de investigação definidos pelo Ministério da Saúde. Desde o dia 22 de outubro, não há novos casos registrados.
Situação dos casos
- Casos investigados: 88
- Funcionários: 63
- Pacientes: 10
- Acompanhantes: 15
Internações
- UTI: 5
- Enfermaria: 15
- Funcionários internados: 10
- Pacientes internados: 8
- Acompanhantes internados: 2
Origem ainda desconhecida
As causas da contaminação permanecem sob investigação. As autoridades de saúde trabalham com a hipótese de bactéria ou fungo como agentes causadores, possivelmente relacionados a falhas nos sistemas de água ou ar-condicionado.
Mais de 300 tipos de vírus, bactérias e fungos estão sendo analisados pelo Lacen/ES e pela Fiocruz, que deve divulgar resultados até o fim da semana.
Segundo a Sesa, não há evidências de que a transmissão ocorra de pessoa para pessoa, e a hipótese viral foi descartada.
Sintomas observados
Para que um caso seja considerado suspeito, o protocolo inclui dois possíveis quadros clínicos:
Quadro 1: febre, alteração no raio-x do tórax e pelo menos um dos sintomas — dor muscular, dor de cabeça ou tosse.
Quadro 2: febre e dois dos sintomas — dor muscular, dor de cabeça e tosse.
Pacientes com dor de garganta, coriza ou perda de olfato e paladar deixam de ser considerados suspeitos.
Contaminação começou na ala oncológica
O Hospital Santa Rita é referência em tratamento de câncer pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A contaminação teve início na ala oncológica, onde surgiram os primeiros sintomas entre funcionários — febre, dor de cabeça e mal-estar, evoluindo para dor torácica.
A unidade isolou os colaboradores infectados, transferiu pacientes imunodeprimidos e interrompeu o funcionamento de um dos três centros cirúrgicos, localizado ao lado da ala afetada.
Dois técnicos do Ministério da Saúde estão no Espírito Santo acompanhando as investigações em uma sala montada dentro do hospital. Segundo o secretário estadual de Saúde, Tyago Hoffmann, a medida é protocolar em casos de surtos hospitalares.
“Temos a obrigação de notificar o Ministério da Saúde, que envia profissionais para auxiliar na investigação”, afirmou Hoffmann.
Reforço de protocolos
Bebedouros foram lacrados e os hospitais da Grande Vitória reforçaram os protocolos de biossegurança, como o uso obrigatório de máscaras e o monitoramento de profissionais que circularam pelo Santa Rita.
A Sesa também publicou uma nota técnica com orientações sobre isolamento de pacientes suspeitos, restrição de visitas e coleta de amostras para exames.
Atualizado às 18h de 29/10/2025.
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