Cerca de 5 mil crianças nascem todos os anos com fissura labiopalatina no Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde. A condição, considerada a malformação craniofacial congênita mais frequente no país, ocorre em aproximadamente um a cada 650 nascimentos.
O Dia Nacional de Conscientização sobre a Fissura Labiopalatina, celebrado no último 24 de junho, busca ampliar a informação sobre a condição, combater preconceitos e destacar a importância do diagnóstico precoce e do tratamento especializado.
A fissura labiopalatina ocorre durante a gestação, quando o lábio, o céu da boca ou ambos não se desenvolvem completamente. A alteração pode afetar funções essenciais como alimentação, fala, audição, respiração e desenvolvimento dentário, além de provocar impactos emocionais e sociais ao longo da vida.
A data faz referência à fundação, em 1967, do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da Universidade de São Paulo (HRAC-USP), conhecido como Centrinho, localizado em Bauru (SP). A instituição é referência nacional e internacional no tratamento da anomalia e já atendeu mais de 100 mil pacientes ao longo de sua história.
Segundo o cirurgião craniofacial Cristiano Tonello, responsável pelo Departamento de Atenção às Fissuras Labiopalatinas e Anomalias Craniofaciais do hospital, não existe uma causa única e definida para a condição. Alguns casos podem estar relacionados a fatores hereditários ou síndromes genéticas.
O especialista destaca que o diagnóstico pode ser realizado ainda durante o pré-natal por meio de exames de ultrassonografia. Quando identificado precocemente, o tratamento oferece excelentes perspectivas de reabilitação e qualidade de vida.
O acompanhamento envolve uma equipe multidisciplinar composta por cirurgiões, fonoaudiólogos, dentistas, psicólogos, pediatras e otorrinolaringologistas. O processo de reabilitação costuma se estender por vários anos, acompanhando o desenvolvimento da criança até a vida adulta.
Apesar dos avanços, especialistas alertam para as dificuldades de acesso ao tratamento em regiões mais distantes dos grandes centros, especialmente no Norte e Nordeste do país, onde a oferta de serviços especializados ainda é limitada.
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