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Uma em cada três brasileiras relata ter vivido violência no último ano

Pesquisa do Senado mostra que muitas mulheres enfrentam agressões, mas não reconhecem as situações como violência doméstica ou familiar.

redação Por redação
27/08/2026 - 09:00
em Política
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Pesquisa do Senado aponta que uma em cada três brasileiras viveu violência doméstica ou familiar no último ano, mas muitas não se reconhecem como vítimas.

Imagem:Agência Senado

Uma em cada três brasileiras passou por alguma situação de violência doméstica ou familiar nos últimos 12 meses. O dado faz parte da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, realizada pelo DataSenado e pelo Observatório da Mulher contra a Violência (OMV) do Senado.

O levantamento ouviu 21.641 mulheres em todo o país e revelou uma diferença importante entre a violência vivida e a percepção de ser vítima.

Apenas 4% das entrevistadas disseram espontaneamente que sofreram violência. Outras 29% relataram situações concretas de agressão, mas não identificaram o que viveram como violência doméstica ou familiar.

Para especialistas, essa dificuldade em reconhecer a violência pode ser uma barreira para que as mulheres procurem ajuda e tenham acesso aos mecanismos de proteção disponíveis.

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A distância entre a violência relatada e aquela reconhecida pelas próprias mulheres varia de acordo com o estado. Alagoas apresentou o maior percentual de mulheres que relataram situações de violência sem classificá-las dessa forma, com 36%. Em seguida aparecem Amazonas, com 35%, e Acre e Tocantins, ambos com 34%.

Os menores percentuais foram registrados no Paraná e em São Paulo, com 25% cada.

O levantamento também mostra diferenças na forma como as mulheres identificam seus agressores. No Acre, por exemplo, o marido ou companheiro foi apontado como responsável pela violência por 73% das vítimas. No Distrito Federal, esse percentual foi de 48%.

Reconhecer a violência é um passo importante

Para Maria Teresa Prado, coordenadora do Observatório da Mulher contra a Violência do Senado, ampliar a rede de proteção é importante, mas as políticas públicas também precisam considerar o que acontece antes de uma mulher procurar os serviços de atendimento.

A especialista destaca que informação sobre direitos e acesso seguro aos serviços são fatores importantes para que as vítimas consigam buscar ajuda.

A antropóloga Beatriz Accioly, gerente de políticas públicas pelo Fim da Violência Contra Mulheres no Instituto Natura, também chama atenção para a dificuldade de algumas mulheres identificarem determinadas situações como violência.

Segundo ela, quando a própria vítima não reconhece o que está vivendo, a busca por proteção e acolhimento pode se tornar mais difícil.

Maioria acredita que violência aumentou

A percepção de que a violência doméstica cresceu também aparece com força na pesquisa.

Em todo o país, 79% das entrevistadas disseram acreditar que a violência doméstica e familiar aumentou nos 12 meses anteriores ao levantamento. Alagoas apresentou o maior percentual, com 85%, seguido pela Bahia, com 84%.

Já Paraná e Minas Gerais tiveram os menores índices, ambos com 73% das mulheres afirmando perceber um aumento da violência no período.

Conhecimento sobre a Lei Maria da Penha ainda é limitado

Outro ponto destacado pelo estudo é o conhecimento das mulheres sobre a Lei Maria da Penha, criada há 20 anos para estabelecer mecanismos de prevenção, proteção e enfrentamento à violência doméstica e familiar.

No Brasil, 78% das entrevistadas disseram conhecer pouco ou nada sobre a legislação. Desse grupo, 67% afirmaram conhecer pouco e 11% disseram não conhecer nada.

Rondônia e Piauí apresentaram os maiores percentuais de mulheres que afirmaram não saber nada sobre a Lei Maria da Penha: 18% em cada estado.

No Amapá e em Mato Grosso, o índice foi de 8%.

Apesar disso, a maioria das entrevistadas conhece alguns dos serviços que fazem parte da rede de proteção às mulheres. O levantamento aponta conhecimento de:

  • Delegacias da Mulher: 93%;
  • Defensoria Pública: 87%;
  • serviços de assistência social, como CRAS e CREAS: 81%;
  • Ligue 180: 76%.

Os dados também mostram que, em muitos casos, a violência acontece dentro da própria relação familiar. No Brasil, o marido ou companheiro aparece como agressor em 62% dos casos relatados.

A proporção chega a 73% no Acre e 71% no Maranhão. Os menores percentuais foram registrados no Distrito Federal, com 48%, e em São Paulo, com 52%. Outro dado chama atenção: 12% das brasileiras que sofreram violência afirmaram que ainda moram com o agressor.

Esse percentual é maior em Sergipe, com 23%, no Acre, com 22%, e no Rio Grande do Sul, com 19%.

Distrito Federal e Minas Gerais registraram os menores índices, ambos com 7%.

Para Vitória Régia da Silva, diretora executiva da Gênero e Número, os números mostram que enfrentar a violência contra as mulheres não significa apenas agir depois de uma agressão.

Segundo ela, também é necessário criar condições para que as vítimas consigam reconstruir suas vidas com segurança e autonomia.

Machismo ainda é percebido como problema

A pesquisa também perguntou às mulheres como elas enxergam o machismo e o respeito às mulheres em diferentes ambientes. Sete em cada dez entrevistadas, ou 70%, consideram o Brasil um país muito machista. Amapá apresentou o menor percentual, com 59%, enquanto Rondônia e Roraima registraram 61%.

Quando questionadas sobre o respeito às mulheres, 46% das brasileiras disseram acreditar que elas não são tratadas com respeito no país. O percentual foi maior no Rio de Janeiro, com 55%, e em Pernambuco, com 53%. Amapá, com 34%, e Santa Catarina, com 35%, tiveram os menores índices.

Rua é vista como o ambiente de maior desrespeito

Entre os locais onde as mulheres sentem que são menos respeitadas, a rua aparece em primeiro lugar. Quase metade das entrevistadas, 49%, apontou esse ambiente.

No Ceará, o percentual chegou a 56%. Já Rondônia, Acre e Rio Grande do Sul apresentaram os menores índices, todos com 43%.

A Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher é realizada pelo Senado há duas décadas e está entre os principais levantamentos nacionais sobre o tema.

O recorte estadual dos dados de 2025 está disponível no Mapa Nacional da Violência de Gênero, plataforma criada a partir de uma parceria entre o Senado, o Instituto Natura e a Gênero e Número.

A ferramenta reúne dados públicos e permite comparar informações sobre violência de gênero nas diferentes regiões do país.

Para o coordenador do DataSenado, José Henrique Varanda, o objetivo é que os dados sejam usados para compreender melhor a realidade das mulheres e ajudar na formulação de políticas públicas.

Criado em 2016 pelo Senado, o Observatório da Mulher contra a Violência reúne e analisa informações sobre violência de gênero para contribuir com ações de prevenção, proteção e enfrentamento da violência contra as mulheres.

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Tags: #AgostoLilás#CombateÀViolência#DireitosDasMulheres#LeiMariadaPenha#ProteçãoÀMulher#violênciacontraamulher#ViolênciaDomésticaBrasilDataSenadoMulheres
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