As terras raras e outros minerais críticos ganharam espaço no debate das eleições presidenciais de 2026, especialmente diante do potencial brasileiro nesse setor. O país possui cerca de 21 milhões de toneladas de reservas de terras raras, aproximadamente 23% das reservas mundiais conhecidas, ficando atrás apenas da China. Esses minerais são utilizados em equipamentos eletrônicos, veículos elétricos, turbinas eólicas e tecnologias ligadas à indústria de defesa.
A disputa internacional pelo acesso a esses recursos também aumenta a importância estratégica do Brasil. Os Estados Unidos buscam reduzir sua dependência da cadeia chinesa de terras raras e ampliar parcerias com países produtores. Em agosto, o governo norte-americano anunciou investimento de US$ 750 milhões relacionado à produção de carbonatos mistos de terras raras do Projeto Pela Ema, da Serra Verde, em Goiás. Washington afirma que a iniciativa pretende fortalecer uma cadeia de fornecimento considerada estratégica para sua economia e defesa.
No Brasil, o tema ganhou um novo marco regulatório em setembro. A Lei nº 15.506/2026 criou a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos e estabeleceu mecanismos para estimular pesquisa, extração, beneficiamento, transformação mineral e mineração urbana. A legislação também prevê incentivos a projetos que ampliem o processamento e a fabricação de produtos de maior valor agregado em território nacional.
Durante a campanha, Luiz Inácio Lula da Silva tem defendido que os minerais críticos sejam tratados como uma questão de soberania e desenvolvimento industrial. A posição apresentada pelo candidato enfatiza a necessidade de evitar que o Brasil se limite à exportação de matérias-primas e ampliar etapas como processamento, transformação e produção tecnológica dentro do país.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, apresenta uma proposta com maior participação do setor privado. Entre as medidas defendidas estão a simplificação de procedimentos, estímulos aos investimentos e criação de condições para ampliar a exploração e o processamento de minerais estratégicos. O candidato também tem relacionado as terras raras à produção de tecnologias avançadas, inteligência artificial, processadores e equipamentos utilizados pela indústria de defesa.
Apesar das diferenças sobre o papel do Estado e do setor privado, as propostas dos dois candidatos mencionam a importância de aumentar a agregação de valor dos minerais no Brasil. A discussão, portanto, envolve não apenas a exploração das reservas, mas também a definição de quem participará das etapas industriais e tecnológicas e como serão distribuídos os benefícios econômicos gerados por esses recursos.
O interesse estrangeiro acrescenta outra dimensão ao debate. Estados Unidos, China e outros países buscam garantir acesso a minerais considerados essenciais para a transição energética e para setores de alta tecnologia. No caso brasileiro, eventuais projetos dependerão de regras de mineração, licenciamento ambiental, decisões de órgãos públicos, investimentos privados e participação das comunidades afetadas.
Com a aproximação das eleições, as terras raras passaram a representar uma discussão que ultrapassa o setor mineral. O próximo governo terá de definir como pretende transformar o potencial geológico brasileiro em desenvolvimento econômico e tecnológico, conciliando investimentos, industrialização, relações internacionais, proteção ambiental e interesses nacionais.
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