A resposta enviada pelo empresário Deusdete Fioresi ao Giro Capixaba acrescenta fatos novos à notícia de fato que pede a investigação da evolução patrimonial do deputado estadual Marcelo Santos, presidente da Assembleia Legislativa do Espírito Santo, conforme destaca reportagem exclusiva publicada pelo site nesta terça-feira, dia 1º de setembro.
Deusdete nega ter atuado como intermediário financeiro do parlamentar e afirma nunca ter pagado despesas, parcelas ou qualquer compromisso de Marcelo Santos e de seus familiares. Ao mesmo tempo, confirma relações comerciais da Infinity Assessoria, Consultoria e Projetos com duas construtoras citadas na representação e admite que sua empresa adquiriu uma unidade no edifício Atlantic Blue, em Iriri, Anchieta.
A manifestação foi acompanhada por uma nota fiscal de R$ 50 mil emitida para a Dulena Construtora e por uma guia do Simples Nacional no valor de R$ 7.424,31.
Os documentos comprovam a emissão da nota e da guia tributária. Não demonstram, porém, a efetiva prestação dos serviços descritos na resposta, o pagamento da nota fiscal ou a quitação do documento de arrecadação. Também não apresentam elementos capazes de esclarecer a evolução patrimonial de Marcelo Santos.
Resposta começa com defesa política de Marcelo Santos
Antes de responder aos questionamentos dirigidos a ele e à Infinity, Deusdete dedica parte da manifestação à defesa política e pessoal de Marcelo Santos.
Ele afirma que os períodos eleitorais são marcados por “ataques infundados” e pela proliferação de notícias falsas. Também descreve o deputado como um homem com trajetória de “lutas e muitas conquistas” e diz que informações falsas ou distorcidas seriam utilizadas para prejudicar a imagem do candidato.
A construção do texto revela uma tentativa de afastar previamente as suspeitas envolvendo Marcelo Santos, embora a manifestação tenha sido solicitada a Deusdete para que ele explicasse suas próprias relações comerciais e patrimoniais.
Essa defesa, no entanto, não substitui uma manifestação do deputado. Deusdete não apresenta documentos sobre o patrimônio de Marcelo, não esclarece a origem do crescimento de 421,5% dos bens declarados pelo parlamentar entre 2018 e 2026 e também não responde pelas propriedades que a notícia de fato pede que sejam investigadas.
A manifestação enviada à redação é assinada pela Infinity, e não por Marcelo Santos ou pela defesa do deputado.
Deusdete confirma relação pessoal com o deputado
Deusdete declara que mantém uma relação pessoal de “muito respeito e admiração” com Marcelo Santos, mas nega qualquer participação em movimentações financeiras do parlamentar.
“Nunca atuei como intermediário de nenhuma movimentação financeira de Marcelo Santos”, afirma.
Ele também diz nunca ter pagado despesas, parcelas ou outros compromissos financeiros do deputado e de seus familiares.
A negativa representa a versão de Deusdete e deverá ser confrontada, caso seja aberta uma investigação, com registros bancários, fiscais, imobiliários e empresariais. A resposta não foi acompanhada por extratos ou outros documentos capazes de confirmar ou afastar movimentações financeiras entre os envolvidos.
Nota fiscal confirma operação de R$ 50 mil com a Dulena
Deusdete confirma que a Infinity prestou serviços à Dulena Construtora até julho de 2026. Como comprovação, apresentou a Nota Fiscal de Serviços Eletrônica número 42, emitida em 29 de julho pela Prefeitura de Anchieta.
O documento registra a Infinity como prestadora e a Dulena Construtora Ltda. como tomadora. O valor informado é de R$ 50 mil, sem retenções, com valor líquido também de R$ 50 mil. O serviço aparece descrito na nota como “Consultoria em Tecnologia de Informação”.
Na manifestação, porém, Deusdete apresenta uma explicação mais ampla. Ele afirma que a atividade envolvia acompanhamento e assessoramento de contratos “exclusivamente” para elaboração de projetos junto a prefeituras, com pagamento de comissão por projeto apresentado e recebido.
Também diz que acompanhava projetos na área ambiental e supervisionava a parte de informática.
A nota fiscal confirma a existência de uma operação comercial declarada entre Infinity e Dulena, mas não identifica contratos públicos, prefeituras atendidas, projetos elaborados, percentual de comissão ou entregas realizadas. Nenhum contrato, relatório, ordem de serviço ou comprovante de pagamento foi apresentado.
A descrição genérica “Consultoria em Tecnologia de Informação” também não registra o alegado assessoramento de contratos ou a elaboração de projetos para administrações municipais.
Isso não prova que o serviço não tenha existido. Mostra apenas que a nota fiscal, isoladamente, não confirma todos os detalhes apresentados por Deusdete.
Guia tributária não é comprovante de pagamento
Deusdete afirma que recolhe 14,9% em impostos e apresentou um Documento de Arrecadação do Simples Nacional referente a julho de 2026.
A guia está em nome da Infinity e totaliza R$ 7.424,31. O documento reúne valores de PIS, IRPJ, ISS, Cofins, INSS e CSLL.
O valor corresponde a aproximadamente 14,85% dos R$ 50 mil registrados na nota fiscal encaminhada à redação. No entanto, o arquivo apresentado é uma guia emitida para pagamento, com vencimento original em 20 de agosto e prazo indicado para quitação até 28 de agosto.
O documento não contém autenticação bancária, recibo de pagamento ou outra confirmação de quitação. Portanto, não pode ser apresentado como prova de que o tributo foi efetivamente pago.
Além disso, por se tratar de uma guia mensal do Simples Nacional, o documento não individualiza quais receitas formaram a base de cálculo do período.
Pagamentos da Brape também são confirmados
A resposta traz outra informação relevante. Deusdete confirma que a Infinity recebeu pagamentos da Brape Construtora antes de 2025.
Segundo ele, os valores decorreram de serviços prestados como engenheiro ambiental. Deusdete informa possuir registro no CREA-ES e afirma que integrava o quadro profissional da construtora.
Nenhum documento relacionado à Brape foi anexado à manifestação. Não foram apresentados contratos, notas fiscais, datas, valores, comprovantes bancários, projetos ambientais ou registros que demonstrem o período e a natureza das atividades.
A confirmação da relação comercial não comprova a acusação de que os recursos teriam beneficiado Marcelo Santos. Também não elimina a necessidade de apuração, pois a própria notícia de fato solicita que os pagamentos sejam rastreados e confrontados com os serviços efetivamente prestados.
Infinity tem apartamento no Atlantic Blue
Deusdete também confirma que a Infinity adquiriu uma unidade no edifício Atlantic Blue, empreendimento citado na notícia de fato.
Segundo ele, a compra foi feita pela própria empresa, com parcelas mensais pagas desde o início da construção, há cerca de dois anos. O financiamento, ainda conforme a resposta, teria sido concedido diretamente pela Construtora Riviera.
A manifestação não informa o número da unidade, o valor do imóvel, o total já pago ou a origem dos recursos utilizados. Também não foram apresentados contrato de compra, quadro de parcelas, recibos, transferências bancárias ou matrícula imobiliária.
Apesar disso, a declaração confirma um dos elementos mencionados na notícia de fato: a existência de uma unidade da Infinity no Atlantic Blue.
Sobre a alegação de que Marcelo Santos também teria um apartamento no empreendimento, Deusdete diz não saber informar.
Essa resposta não confirma nem afasta a suspeita. A verificação depende dos registros da incorporadora, dos contratos, das matrículas imobiliárias e da identificação dos responsáveis pelo pagamento de cada unidade.
Terreno da antiga Relva continua sem esclarecimento
Questionado sobre o terreno onde funcionava a antiga concessionária Relva, em Guarapari, Deusdete afirmou desconhecer o endereço e não saber se o imóvel está à venda. Nenhum documento foi apresentado sobre esse ponto.
A notícia de fato pede que eventual relação entre o terreno, terceiros e Marcelo Santos seja verificada por meio de registros imobiliários e documentos de compra e venda.
Resposta não esclarece patrimônio do deputado
A manifestação de Deusdete concentra-se em negar a atuação como intermediário financeiro e justificar as relações da Infinity com as construtoras citadas.
Ela não explica:
- A origem do aumento de aproximadamente 421,5% no patrimônio declarado por Marcelo Santos entre 2018 e 2026;
- A diferença apontada entre a evolução patrimonial e os subsídios parlamentares recebidos no período;
- Os oito imóveis declarados com a mesma descrição de “benfeitorias em andamento”;
- A eventual existência de uma unidade atribuída ao deputado no Atlantic Blue;
- A casa declarada por R$ 120 mil em Anchieta;
- Os mais de R$ 1,5 milhão informados em aplicações, conta bancária e dinheiro em espécie;
- As participações declaradas em aeronave e embarcação;
- As alegações sobre outros bens que estariam fora das declarações eleitorais.
Esses questionamentos são dirigidos diretamente a Marcelo Santos e dependem de uma manifestação do parlamentar, acompanhada da documentação correspondente.
Documentos confirmam relações, mas não encerram apuração
A resposta de Deusdete tem valor jornalístico porque confirma relações comerciais e patrimoniais citadas na notícia de fato.
Ele admite recebimentos da Dulena e da Brape e confirma que a Infinity possui uma unidade no Atlantic Blue. Por outro lado, nega qualquer movimentação financeira em benefício de Marcelo Santos.
Os dois anexos encaminhados comprovam apenas a emissão de uma nota fiscal para a Dulena e de uma guia do Simples Nacional. Não há contratos, extratos bancários, comprovantes de pagamento, documentos da Brape ou registros do apartamento.
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Os documentos apresentados não comprovam a acusação de que Deusdete seria operador financeiro de Marcelo Santos. Também não são suficientes para afastar a necessidade das diligências solicitadas na notícia de fato.
A confirmação ou o descarte das suspeitas depende da análise dos órgãos competentes, com acesso a documentos bancários, fiscais, contábeis, societários e imobiliários.
Deusdete informou que ainda não foi notificado oficialmente e afirmou que apresentará tudo o que for solicitado pelas autoridades. Também classificou as alegações como falsas e anunciou que pretende adotar medidas judiciais contra o autor da notícia de fato.
O Giro Capixaba mantém espaço aberto para novas manifestações de Deusdete Fioresi, da Infinity, das construtoras citadas e do deputado Marcelo Santos.
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