A Câmara Municipal de São Paulo analisa nesta quinta-feira (29), às 16h30, o pedido de impeachment do prefeito Ricardo Nunes (MDB). A solicitação será avaliada por uma comissão especial e tem como base acusações de descumprimento de uma decisão da Justiça Eleitoral sobre o funcionamento do transporte público durante o segundo turno das eleições de 2026.
A denúncia questiona a circulação dos ônibus municipais no domingo (25), quando os eleitores foram às urnas. Segundo os vereadores responsáveis pela iniciativa, a Justiça Eleitoral havia determinado que 100% da frota estivesse em operação para garantir o deslocamento dos eleitores até os locais de votação.
De acordo com as acusações, a determinação não foi cumprida integralmente. Apenas 60% da frota de ônibus teria sido mantida em circulação durante grande parte do dia, situação que provocou reclamações de eleitores que enfrentaram dificuldades para chegar às seções eleitorais.
O pedido de impeachment foi protocolado no próprio domingo, dia do segundo turno, pelos vereadores Celso Giannazi, Amanda Paschoal e Silvia da Bancada Feminista, todos do Psol de São Paulo. A iniciativa busca responsabilizar o prefeito pelas supostas irregularidades relacionadas à oferta de transporte público durante a votação.
A comissão responsável pela análise é formada pelos vereadores Hélio Rodrigues (PT), Luana Alves (Psol), Rubinho Nunes (União), Major Palumbo (PP), Kenji Ito (Podemos), Sandra Santana (MDB) e Sandra Tadeu (PL). O grupo deverá examinar os argumentos apresentados na denúncia e avaliar os encaminhamentos previstos no processo.
A mobilização contra o prefeito também ganhou as ruas da capital paulista. Na noite de quarta-feira (28), a vereadora Luana Alves liderou um protesto em frente à sede da Prefeitura de São Paulo. Os manifestantes criticaram a atuação do Executivo municipal diante das acusações relacionadas ao transporte público no dia da votação.
Novos atos contra Ricardo Nunes estão previstos para os próximos dias. Uma manifestação foi anunciada para sexta-feira (30), na Praça Roosevelt, na região central da cidade. Outro protesto está marcado para sábado (31), no Largo da Batata, na região de Pinheiros.
A análise da comissão representa uma etapa do procedimento político-administrativo. A apresentação da denúncia e sua avaliação inicial não significam que o prefeito tenha perdido o mandato. O andamento do caso dependerá das decisões tomadas pela Câmara Municipal conforme as regras aplicáveis.
O episódio amplia a pressão política sobre Ricardo Nunes após o segundo turno das eleições de 2026. O questionamento central é se a redução da frota de ônibus contrariou a determinação judicial e comprometeu o acesso dos eleitores aos locais de votação. A análise dos vereadores deverá definir os próximos passos em relação ao pedido de impeachment.
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