O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes afirmou nesta segunda-feira (24) que influenciadores digitais passaram a ter uma audiência maior do que programas tradicionais de televisão. A declaração foi feita durante uma cerimônia no Tribunal de Contas do Município de São Paulo (TCM-SP).
Ao comentar as mudanças na forma como as pessoas consomem notícias, Moraes destacou que alguns influenciadores passaram a abordar assuntos variados, mesmo sem necessariamente terem experiência ou conhecimento específico sobre os temas.
Segundo o ministro, essa mudança ajudou a enfraquecer a confiança de parte do público na imprensa tradicional. Ele também criticou o comportamento de pessoas que, na avaliação dele, passam a acompanhar exclusivamente conteúdos de grupos com os quais já concordam.
Moraes classificou esse fenômeno como uma espécie de “lavagem cerebral” e chamou atenção para o funcionamento das chamadas bolhas digitais.
Durante a palestra, o ministro também falou sobre o papel das grandes empresas de tecnologia e dos algoritmos na formação da opinião pública.
Na avaliação de Moraes, as plataformas conseguem identificar preferências e comportamentos dos usuários e, a partir dessas informações, direcionar conteúdos específicos para determinados grupos.
Ele afirmou ainda que essa dinâmica pode ter impacto durante períodos eleitorais, quando candidatos podem ser apresentados aos eleitores de maneira semelhante à oferta de produtos aos consumidores.
Moraes citou o uso de estratégias digitais para explorar sentimentos e insatisfações de determinados grupos sociais. Segundo ele, os algoritmos conseguem identificar esses comportamentos e ampliar a exposição dos usuários a conteúdos que reforçam suas próprias opiniões.
O ministro também relacionou o funcionamento das plataformas digitais às campanhas eleitorais. Para ele, o avanço das redes sociais mudou a maneira como candidatos se comunicam com o eleitorado.
Nesse cenário, Moraes afirmou que as plataformas podem influenciar a circulação de informações e a percepção dos eleitores sobre determinados candidatos e assuntos políticos.
O debate sobre a atuação das big techs nas eleições tem sido acompanhado de perto pelas instituições brasileiras, principalmente diante da preocupação com a disseminação de informações falsas e conteúdos produzidos para atingir públicos específicos.
Outro assunto abordado durante o evento foi a formação profissional dos jornalistas.
Moraes e o ministro Flávio Dino defenderam que o STF volte a discutir a exigência de diploma para o exercício da profissão de jornalista.
A obrigatoriedade da formação específica havia sido prevista em legislação editada durante o período da ditadura militar, mas foi derrubada pelo Supremo em 2009.
A discussão voltou a ganhar espaço diante das transformações provocadas pelas redes sociais e do crescimento da produção de conteúdo fora dos veículos tradicionais de comunicação.
Para Moraes, a mudança no ambiente de informação exige uma nova reflexão sobre os critérios profissionais e a responsabilidade de quem produz e divulga conteúdo para grandes públicos.
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