O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), confirmou que recebeu Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para um depoimento realizado dentro de seu próprio gabinete. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (2) após a realização da audiência, cuja data não foi informada.
Segundo a nota do gabinete, Vorcaro solicitou ser ouvido com urgência depois de relatar que vinha sofrendo intimidações. O depoimento ocorreu com a presença de um representante do Ministério Público, mas sem a participação de agentes da Polícia Federal responsáveis pela investigação.
Mendonça é o relator do processo que apura suspeitas de fraudes envolvendo o Banco Master. Na manifestação, o ministro afirmou que a ausência da equipe policial seguiu regras destinadas à proteção de pessoas ouvidas em situações consideradas de risco.
De acordo com Mendonça, a participação do Ministério Público atende às exigências legais para esse tipo de audiência. Já o afastamento dos policiais responsáveis pela investigação, segundo o ministro, estaria previsto em normas do Conselho Nacional de Justiça como forma de preservar a integridade física e psicológica do depoente.
O gabinete também afirmou que a decisão de não convocar agentes da PF não teve relação com conveniência ou preferência da equipe do ministro, mas com a necessidade de garantir proteção diante dos relatos apresentados por Vorcaro.
O conteúdo do depoimento está protegido por sigilo. O gabinete de Mendonça, porém, negou que Daniel Vorcaro tenha tratado de assuntos relacionados ao ministro Alexandre de Moraes durante a audiência.
A confirmação do depoimento ocorreu no mesmo dia em que o jornal O Globo revelou a existência da reunião. A informação foi posteriormente confirmada oficialmente pelo gabinete de Mendonça.
O caso ganhou repercussão depois que, na terça-feira (1º), Mendonça tornou públicas informações obtidas pela Polícia Federal a partir da investigação envolvendo Vorcaro e seus aliados. Entre os dados estão mensagens atribuídas ao ex-banqueiro e contatos relacionados a Alexandre de Moraes.
As conversas foram encontradas após a quebra do sigilo do celular de Vorcaro, investigado na Operação Compliance Zero, que apura possíveis irregularidades financeiras relacionadas ao Banco Master. Em uma das mensagens recuperadas, o empresário teria afirmado que buscava se antecipar aos investigadores.
Também na terça-feira (1º), o procurador-geral da República, Paulo Gonet, se manifestou contra a forma como a investigação envolvendo as conversas entre Vorcaro e Moraes foi conduzida.
Gonet defendeu a anulação dessa parte da apuração e argumentou que Mendonça não poderia ter determinado o aprofundamento das investigações sobre as conversas envolvendo o ministro Alexandre de Moraes sem autorização do plenário do STF.
O episódio colocou em lados diferentes integrantes da própria Corte e da Procuradoria-Geral da República em relação aos procedimentos adotados na investigação do caso Banco Master. O conteúdo completo do depoimento de Vorcaro permanece sob sigilo.
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