A ministra da Cultura, Margareth Menezes, afirmou que os saberes tradicionais e populares desempenham papel essencial na preservação ambiental e na construção de uma relação mais equilibrada entre sociedade e natureza. A declaração foi feita durante a 6ª edição da Teia Nacional dos Pontos de Cultura, realizada em Aracruz, no Espírito Santo.
Com o tema “Pontos de Cultura pela Justiça Climática”, o evento reuniu representantes de povos indígenas, comunidades quilombolas, ribeirinhas, periféricas e agentes culturais de diversas regiões do país. A programação ocorreu entre terça-feira (19) e este domingo (24), promovendo debates sobre cultura, meio ambiente e inclusão social.
Durante entrevista à Agência Brasil, a ministra destacou que os conhecimentos transmitidos entre gerações pelos povos tradicionais oferecem exemplos concretos de preservação ambiental e convivência sustentável com os recursos naturais.
“Já existem exemplos demais de como destruir a natureza, mas existem muitas memórias também de como preservar”, afirmou.
Segundo Margareth Menezes, a cultura pode contribuir diretamente para mudanças de comportamento da sociedade diante da crise climática. Ela ressaltou que práticas culturais ligadas aos povos originários, povos de terreiro e comunidades tradicionais valorizam a natureza e demonstram formas mais sustentáveis de viver.
A ministra também destacou que esses grupos carregam elementos fundamentais da identidade brasileira. Para ela, as culturas indígenas e afro-brasileiras preservam memórias, conhecimentos ancestrais e contribuições importantes para a formação social e cultural do país.
Entre os destaques da Teia Nacional dos Pontos de Cultura esteve o primeiro encontro para construção do Plano Nacional das Culturas Indígenas. De acordo com a ministra, o processo será desenvolvido por meio de diálogo e participação direta dos povos originários.
“A cultura indígena são culturas. Existem mais de 300 línguas preservadas, então é uma construção coletiva que exige escuta e participação”, explicou.
Outro avanço anunciado durante o evento foi a assinatura de atos normativos voltados às culturas tradicionais e populares, incluindo medidas de valorização de mestres e mestras da cultura popular. Conforme Margareth Menezes, o novo decreto da Política Nacional para as Culturas Tradicionais e Populares busca ampliar investimentos, garantir proteção e fortalecer manifestações culturais brasileiras.
A ministra ressaltou ainda que os mestres e mestras populares representam patrimônio vivo do país, guardando conhecimentos que precisam ser preservados para as futuras gerações.
Após 12 anos sem realização, a Teia Nacional dos Pontos de Cultura voltou a ocorrer em 2026. Margareth Menezes destacou que o reencontro fortalece a rede de pontos e pontões de cultura espalhados pelo Brasil e amplia o diálogo entre comunidades culturais e o poder público.
Segundo ela, o número de pontos de cultura cadastrados cresceu significativamente nos últimos anos. Quando a atual gestão assumiu o Ministério da Cultura, havia cerca de 4 mil registros. Atualmente, o país conta com aproximadamente 16 mil pontos de cultura reconhecidos.
A ministra também destacou avanços na reconstrução das políticas culturais brasileiras, citando a ampliação do alcance das leis Paulo Gustavo e Aldir Blanc, além da descentralização dos investimentos da Lei Rouanet para todos os estados do país.
Para Margareth Menezes, investir em cultura significa investir no desenvolvimento humano, na geração de renda e no fortalecimento da economia criativa.
“Quem faz a cultura é o ser humano. É um investimento que tem potência de mudança, qualificação, emancipação e geração de emprego e renda”, concluiu.
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