O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou na última sexta-feira (14) que o governo brasileiro não pretende conceder antes das eleições de outubro o agrément — autorização formal para que um representante estrangeiro atue como embaixador — ao indicado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para a embaixada norte-americana em Brasília.
O nome escolhido pelo governo norte-americano é Daniel Perez. Segundo Lula, a decisão de aguardar o período eleitoral está relacionada ao momento da indicação e às recentes divergências entre Brasil e Estados Unidos.
A declaração foi feita durante entrevista concedida aos podcasts Não Inviabilize e As Cunhãs. Na conversa, o presidente também voltou a criticar o que considera tentativas de interferência norte-americana em assuntos internos brasileiros.
Lula afirmou que o governo dos Estados Unidos teria demonstrado interesse em enviar representantes ao Brasil para acompanhar questões relacionadas às urnas eletrônicas, mas que os vistos não foram concedidos.
O presidente também questionou a demora na indicação de um novo embaixador norte-americano para Brasília e criticou o fato de o nome ter sido apresentado próximo ao período eleitoral.
Apesar das divergências, Lula afirmou que o Brasil não pretende romper o diálogo com os Estados Unidos. O presidente defendeu a manutenção de uma relação diplomática baseada em negociação e respeito entre os dois países.
Segundo Lula, o objetivo do governo brasileiro é evitar conflitos e buscar soluções para as questões que envolvem as duas nações.
Durante a entrevista, o presidente também comentou a relação com Donald Trump. Lula disse acreditar que parte das medidas adotadas recentemente contra o Brasil não seria resultado exclusivamente de decisões do presidente norte-americano.
O presidente brasileiro citou o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, ao comentar as tensões diplomáticas e comerciais entre os dois governos.
Lula também voltou a falar sobre as tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros e afirmou que o governo está preparado para defender os interesses do país.
O presidente mencionou a utilização da Lei de Reciprocidade Econômica como instrumento de resposta às medidas adotadas pelo governo norte-americano.
Segundo Lula, a legislação representa uma demonstração de que o Brasil pretende negociar, mas também está disposto a adotar medidas para proteger seus interesses econômicos.
O presidente afirmou ainda que o governo brasileiro está tranquilo diante do cenário internacional e preparado para discutir as questões comerciais e diplomáticas envolvendo os Estados Unidos.
As declarações ocorrem em um momento de aumento das tensões entre os dois países, com divergências envolvendo comércio, tarifas, questões diplomáticas e assuntos relacionados à política interna brasileira.
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