A sessão da Tribuna Popular realizada nesta quarta-feira (10) na Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales) reuniu especialistas, representantes de organizações sociais e estudantes para debater temas como inteligência artificial, violência contra a mulher, fortalecimento do terceiro setor e empoderamento feminino.
Um dos destaques foi a apresentação da proposta de criação de uma política pública de inteligência artificial inclusiva para o Espírito Santo. A iniciativa foi defendida pela advogada e especialista em gestão Carolina Monteiro Soares, convidada pelo deputado Engenheiro José Esmeraldo (União).
Segundo Carolina, o projeto pretende transformar o Espírito Santo no primeiro estado brasileiro a estruturar uma política pública integrada de inteligência artificial com impactos sociais, econômicos e institucionais. A proposta prevê a utilização da rede municipal de ensino para democratizar o acesso à tecnologia e preparar jovens, adultos e gestores públicos para os desafios da economia digital.
“O nosso objetivo é transformar o Espírito Santo em referência nacional na adoção de um modelo de inteligência artificial inclusiva, promovendo qualificação profissional e desenvolvimento econômico”, destacou.
O programa está estruturado em seis pilares: empregabilidade, aumento da produtividade pública, redução das desigualdades sociais, atração de investimentos qualificados, formação para a nova economia digital e transformação tecnológica dos municípios.
O público-alvo inclui jovens entre 15 e 24 anos, especialmente aqueles em situação de vulnerabilidade social, além de servidores públicos, famílias ligadas à rede de ensino e lideranças da administração pública.
A formação proposta conta com carga horária de 140 horas e aborda temas como letramento digital, inteligência artificial, modernização da gestão pública, governança, ética, Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), responsabilidade civil e criminal e Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) Digital.
De acordo com a especialista, cada município poderá capacitar mais de 600 pessoas ao longo de um ciclo de 30 meses. Ela também ressaltou a importância do acesso precoce às novas tecnologias para ampliar as oportunidades de inserção no mercado de trabalho.
Violência contra a mulher
Outro tema debatido durante a Tribuna Popular foi o enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher. A discussão contou com a participação da advogada Carla Petronilho e da psicóloga Gabriela Belotti, indicadas pelo deputado Delegado Danilo Bahiense (PL).
Carla Petronilho destacou que a violência contra a mulher não se restringe às agressões físicas, incluindo também formas de abuso psicológico que afetam profundamente a vida das vítimas.
Ela enfatizou a necessidade de conscientização da sociedade e da formação de jovens mais preparados para construir relações baseadas no respeito e na igualdade. A advogada também reforçou a importância da denúncia como instrumento de proteção às mulheres e suas famílias.
Durante sua fala, Carla compartilhou experiências pessoais relacionadas ao tema e ressaltou que nenhuma mulher está totalmente imune aos impactos da violência doméstica, independentemente de sua condição financeira ou profissional.
Já a psicóloga Gabriela Belotti afirmou que o combate à violência exige uma transformação cultural mais profunda, baseada na revisão das relações de poder e na promoção da igualdade desde a infância.
Segundo ela, a educação das novas gerações é um dos caminhos mais eficazes para a construção de uma sociedade mais justa e respeitosa.
O deputado Danilo Bahiense também defendeu o fortalecimento das políticas públicas de proteção às mulheres, criticando o encerramento do plantão especializado de atendimento e destacando a carência de delegacias especializadas e efetivo policial em municípios do interior capixaba.
Terceiro setor pede continuidade do apoio público
Representando a Obra Social Itaka Escolápios – Centro Social São José de Calasanz, o diretor-executivo Kelven Marcelino Klein destacou o papel das organizações do terceiro setor na execução de políticas públicas voltadas à infância e adolescência.
A instituição atua há 16 anos em Vila Nova de Colares, no município da Serra, atendendo cerca de 200 crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social.
Klein ressaltou a importância das parcerias com o poder público para a manutenção das atividades e solicitou a continuidade do apoio institucional e financeiro às organizações sociais, especialmente por meio das emendas parlamentares.
O deputado Coronel Weliton (DC), responsável pelo convite, reconheceu a relevância do trabalho desenvolvido pela entidade e questionou sobre os planos de expansão do projeto. Segundo o gestor, a meta é ampliar o atendimento para 500 crianças e adolescentes na comunidade.
Protagonismo feminino
Encerrando as apresentações, a estudante Maria Clara Lima Hermisdorf, de 17 anos, apresentou as ações do Clube Girl Up Brasil, movimento voltado à formação de lideranças femininas e à promoção da justiça social.
Convidada pela deputada Camila Valadão (Psol), a jovem destacou a importância de ampliar os espaços de escuta para meninas e adolescentes.
“Quando uma menina é ouvida, ela descobre que pode ser tudo o que quiser”, afirmou.
A participação reforçou a importância do protagonismo juvenil e da valorização das vozes femininas na construção de uma sociedade mais inclusiva e igualitária.
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