A Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito declarou apoio à candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição nas eleições de 2026. Diferentemente de 2022, quando o grupo se posicionou a favor do petista apenas no segundo turno, a organização decidiu manifestar apoio já na primeira etapa da disputa.
Criada em 2016, a frente também passou a divulgar um jingle voltado ao eleitorado evangélico, com o mote “Crente pode em Lula votar”. A iniciativa integra uma estratégia de diálogo com cristãos e busca apresentar a posição política do grupo fora do ambiente dos templos religiosos.
O anúncio ocorreu na mesma semana em que Lula e a primeira-dama Janja da Silva receberam pastores e representantes evangélicos no Palácio do Planalto. O encontro foi realizado na última quarta-feira (16) e contou, entre os participantes, com Nilza Valéria Oliveira, coordenadora-executiva da frente, além do ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, e da senadora Eliziane Gama (PT-MA).
Segundo relatos sobre a reunião, Lula afirmou que não pretende realizar atos de campanha dentro de igrejas. O presidente disse respeitar a fé dos fiéis e defendeu que os templos não sejam utilizados como espaço para discursos políticos.
A movimentação da frente também ocorre em meio ao esforço de diferentes grupos políticos para dialogar com o eleitorado evangélico durante a campanha de 2026. A organização afirma representar uma parcela do segmento e sustenta que a comunidade evangélica brasileira reúne diferentes posições políticas, não sendo possível associá-la a uma única candidatura.
Em agosto, representantes da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito estiveram em Washington, nos Estados Unidos, onde entregaram a congressistas uma carta relacionada às eleições brasileiras. No documento, segundo relatos publicados sobre a iniciativa, o grupo demonstrou preocupação com possíveis interferências externas no processo eleitoral brasileiro.
A frente também criticou medidas tarifárias adotadas pelos Estados Unidos que atingem produtos brasileiros. No posicionamento apresentado pelos representantes, o grupo defendeu que decisões comerciais envolvendo o Brasil sejam baseadas em critérios econômicos e técnicos, sem interferência de disputas políticas internas.
A declaração de apoio a Lula ocorre, portanto, dentro de uma atuação política que a própria organização associa à defesa do Estado de Direito, dos direitos sociais e da participação de cristãos no debate público. A frente pretende ampliar esse diálogo durante a campanha eleitoral, enquanto outros setores do eleitorado evangélico mantêm posições políticas diferentes.
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