O presidente da Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales), Marcelo Santos (União Brasil), encontra-se no centro de uma turbulência política após ser publicamente acusado de envolvimento em esquemas ilícitos e sociedade comercial com o deputado do Rio de Janeiro, Thiago Rangel (sem partido), um dos alvos da notória Operação Postos de Midas, no Estado do Rio de Janeiro, em outubro de 2024.
Agora, as denúncias, feitas pelo ex-governador fluminense Anthony Garotinho, colocam o parlamentar capixaba em uma posição delicada, forçando-o a emitir uma nota oficial de repúdio e a ameaçar com ações judiciais.
Em sua defesa, Marcelo Santos negou categoricamente qualquer vínculo. “Marcelo Santos não possui sociedade, vínculo comercial, participação administrativa ou qualquer relação com os fatos citados,” afirmou a nota oficial, que classificou as alegações de Garotinho como “falsas e delirantes” e provenientes de uma fonte em “fase decadente e sem credibilidade”.
O presidente da Ales informou ter adotado “providências cabíveis, incluindo a notificação dos responsáveis, pedido de direito de resposta e ações por calúnia, difamação e danos morais.”
A sombra da Operação Postos de Midas
Apesar da veemente negativa, a proximidade entre os dois parlamentares foi documentado em um evento político recente. Santos e Rangel foram fotografados juntos na posse do prefeito de Presidente Kennedy (ES), Dorley Fontão, o único gestor executivo do Brasil a exercer o terceiro mandato consecutivo. A posse de Fontão, ocorrida após uma controvertida liminar concedida pelo ministro do TSE, Kássio Nunes Marques, adiciona mais uma camada de controvérsia ao encontro.
Thiago Rangel é uma figura central na Operação Postos de Midas, que investiga supostos desvios e propinas na região de Campos dos Goytacazes, no Estado do Rio de Janeiro. No inquérito, cujo conteúdo a reportagem do Giro Capixaba teve acesso, ele é apontado como líder de uma Organização Criminosa
Segundo as denúncias de Garotinho, a associação entre Rangel e Santos envolveria negócios com verbas públicas nos estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo, tendo um operador identificado como Leandro Braga, residente no Espírito Santo e com histórico de prisões no Rio de Janeiro, como peça-chave.
A proximidade com Rangel, que é apontado como potencial alvo de uma próxima operação da Polícia Federal, representa um risco político significativo para Marcelo Santos. O presidente da Ales, que planeja postular uma vaga na Câmara Federal em 2026, pode ter sua trajetória ameaçada por essas “relações perigosas”.
Conexão fronteiriça
O escândalo se estende para além dos gabinetes legislativos, arrastando prefeituras da região fronteiriça entre os dois estados. O prefeito Dorley Fontão, de Presidente Kennedy (ES), e a prefeita Yara Cinthia, de São Francisco de Itabapoana (RJ), também são citados nas denúncias.
Garotinho alega que os negócios ilícitos envolveriam “somas de dinheiro vivo” em Kennedy, sugerindo um esquema de corrupção que transcende as divisas estaduais.
A reportagem do Giro Capixaba, que divulgou a nota de Santos na íntegra, acolhida como Direito de Resposta, destaca a gravidade das acusações e o potencial de desgaste para a imagem pública do presidente da Ales, especialmente em um ano pré-eleitoral.
A reportagem completa de Garotinho, que detalha as acusações de “Milhões em propina, laranjas e negócios em prefeituras do RJ e ES”, está disponível para consulta.
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