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Fenaj pede ao STF revisão da dispensa de diploma para jornalistas

Entidade defende formação superior específica e afirma que mudanças no ambiente digital reforçam a necessidade de qualificação técnica e responsabilidade profissional.

redação Por redação
19/08/2026 - 09:00
em Política
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Fenaj pede que STF reveja decisão de 2009 que dispensou diploma de Jornalismo e defende formação superior para exercício da profissão.

Imagem: Lula Marques/ Agência Brasil

A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) pediu na última terça-feira (18) que o Supremo Tribunal Federal (STF) reavalie a decisão tomada em 2009 que derrubou a obrigatoriedade de diploma de curso superior em Jornalismo para o exercício da profissão.

A manifestação ocorreu no mesmo dia em que os ministros Flávio Dino e Alexandre de Moraes defenderam uma nova discussão sobre o tema durante uma sessão da Primeira Turma do Supremo.

Em publicação nas redes sociais, a presidente da Fenaj, Samira de Castro, afirmou que o cenário atual de produção e circulação de informações na internet reforça, na avaliação da entidade, a necessidade de formação específica, preparo técnico e compromisso ético para o exercício do jornalismo.

Segundo Samira, a decisão que retirou a exigência do diploma trouxe consequências que, para a entidade, precisam ser reavaliadas diante das transformações provocadas pelas redes sociais.

A presidente da Fenaj também afirmou que a entidade está disposta a participar de uma eventual discussão sobre o tema no Supremo e no Congresso Nacional.

A posição da Fenaj foi divulgada após Flávio Dino e Alexandre de Moraes defenderem a rediscussão da dispensa do diploma durante julgamento na Primeira Turma do STF.

O debate surgiu em um processo envolvendo o direito de resposta da TV Globo e de uma clínica médica citada em uma reportagem sobre uma denúncia de assédio sexual.

Dino afirmou que o entendimento adotado pelo Supremo em 2009 passou a gerar dificuldades em situações relacionadas aos limites da liberdade de imprensa, especialmente diante da multiplicação de blogs e canais independentes na internet.

O ministro questionou a possibilidade de estender automaticamente as mesmas garantias destinadas à atividade jornalística a qualquer pessoa que produza conteúdo na internet.

Moraes, por sua vez, defendeu a regulamentação da profissão. Para ele, a liberdade de imprensa prevista na Constituição não deve ser utilizada como justificativa para práticas que possam configurar crimes contra a honra ou disseminação de desinformação.

A manifestação dos dois ministros não modifica, neste momento, a decisão de 2009. O entendimento que dispensa o diploma continua vigente.

Em 2009, o Supremo decidiu, por maioria de votos, que a exigência de diploma de Jornalismo e de registro profissional para o exercício da atividade era incompatível com a Constituição Federal de 1988.

Na ocasião, os ministros entenderam que o Decreto-Lei nº 972/1969 não havia sido recepcionado pela Constituição. A norma estabelecia regras para o exercício da profissão, incluindo a necessidade de formação superior em Jornalismo e registro profissional.

Desde a decisão, não há exigência geral de diploma específico para o exercício da atividade jornalística no Brasil.

A retomada da exigência de formação superior também é discutida no Congresso Nacional por meio da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 206/2012, conhecida como PEC do Diploma.

A proposta foi aprovada pelo Senado em 2012 e prevê a exigência de diploma de curso superior em Jornalismo para o exercício profissional.

Na Câmara dos Deputados, o texto foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) em 2013. Desde então, aguarda inclusão na pauta do Plenário.

Por se tratar de uma proposta de emenda à Constituição, a PEC precisa ser aprovada em dois turnos na Câmara e obter pelo menos 308 votos favoráveis dos 513 deputados.

O texto estabelece que o exercício da profissão seria reservado a pessoas com diploma de curso superior em Jornalismo, mas prevê exceções para determinadas atividades e situações, incluindo colaboradores responsáveis por trabalhos de natureza técnica, científica ou cultural e profissionais que já exerciam a atividade antes da eventual promulgação da emenda.

A discussão ocorre paralelamente a uma controvérsia envolvendo medidas de quebra de sigilo relacionadas ao blogueiro maranhense Luís Pablo.

Na semana passada, a Fenaj e a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) manifestaram preocupação com uma decisão do ministro Alexandre de Moraes que autorizou medidas que permitiram a identificação de uma fonte utilizada pelo jornalista.

A fonte teria fornecido informações relacionadas a denúncias sobre suposto uso irregular de veículos oficiais envolvendo o ministro Flávio Dino.

Segundo Moraes, as informações teriam sido obtidas por meio de monitoramento considerado ilegal da rotina do ministro e de familiares dele em São Luís.

O episódio ampliou o debate sobre os limites da liberdade de imprensa, a proteção do sigilo das fontes e a atuação de jornalistas e produtores de conteúdo no ambiente digital.

Para a Fenaj, a discussão sobre a exigência de formação superior deve considerar as mudanças ocorridas no ambiente de comunicação nos últimos anos.

A entidade defende que a atividade jornalística exige conhecimentos técnicos e compromisso com princípios éticos, além de responsabilidade na apuração e divulgação de informações.

A eventual retomada da exigência do diploma poderá ocorrer por diferentes caminhos, como uma nova análise do tema pelo STF ou o avanço da PEC 206/2012 no Congresso Nacional.

Até que haja uma nova decisão judicial ou alteração constitucional, permanece válido o entendimento firmado pelo Supremo em 2009.

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Tags: #AlexandreDeMoraes#comunicação#CongressoNacional#DiplomaDeJornalismo#FlavioDino#Jornalismo#LiberdadeDeImprensa#PECdoDiploma#RedesSociaisBrasilFenajJornalistas
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