A confirmação da atuação do fenômeno El Niño para o período de 2026 e 2027 acendeu o alerta para a possibilidade de eventos climáticos extremos em diversas regiões do Brasil. No Espírito Santo, o cenário reforça a necessidade de investimentos em prevenção, adaptação e mitigação de danos, estratégias consideradas fundamentais para reduzir riscos à população e à infraestrutura pública.
Nesse contexto, o Governo do Estado vem ampliando ações voltadas à resiliência climática, incluindo a contratação de R$ 1,4 bilhão em crédito para obras de drenagem urbana, contenção de encostas e intervenções destinadas à adaptação às mudanças do clima.
Segundo o presidente da Assembleia Legislativa do Espírito Santo, o deputado Marcelo Santos, os recursos permitirão a execução de obras em áreas historicamente vulneráveis a alagamentos e movimentos de massa.
De acordo com o parlamentar, as intervenções representam uma mudança de postura na gestão dos riscos climáticos, priorizando ações preventivas em vez da reconstrução após os desastres.
As obras financiadas incluem melhorias em sistemas de drenagem, estabilização de encostas e intervenções em rodovias estaduais, especialmente na Região Metropolitana da Grande Vitória e em municípios do interior, como Pancas e Divino de São Lourenço.
Além do novo financiamento, a Assembleia Legislativa já havia autorizado, em 2025, uma operação de crédito de R$ 350 milhões destinada ao enfrentamento dos processos erosivos que afetam o litoral capixaba.
Os investimentos contemplam:
- Obras de drenagem urbana;
- Recuperação de rios urbanos;
- Contenção de erosões;
- Dragagem de cursos d’água;
- Ampliação de faixas de areia;
- Proteção costeira.
As intervenções contam com recursos do Fundo Clima e integram uma estratégia mais ampla de adaptação às mudanças climáticas.
Espírito Santo lidera projetos ligados ao Fundo Clima
Segundo o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o Espírito Santo é atualmente o estado brasileiro com o maior número de projetos vinculados ao Fundo Clima.
Para Marcelo Santos, essa posição demonstra o compromisso do Estado em antecipar soluções diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas.
“O Espírito Santo está aprendendo com os eventos já vivenciados e se preparando para reduzir os impactos futuros, fortalecendo sua capacidade de resposta”, destacou o parlamentar.
Programa reúne mais de 70 ações estratégicas
As iniciativas integram o Programa Capixaba de Mudanças Climáticas, que reúne mais de 70 projetos voltados à mitigação e adaptação climática.
Entre os 19 projetos considerados estratégicos estão:
- Monitoramento e alerta para eventos extremos;
- Controle de inundações e secas;
- Obras de proteção costeira;
- Programas de minimização de cheias;
- Intervenções em encostas;
- Investimentos por meio do Fundo Cidades.
Defesa Civil alerta para riscos associados ao clima
Na linha de frente do enfrentamento aos desastres naturais, a Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil acompanha permanentemente os cenários meteorológicos.
Segundo o coordenador estadual de Defesa Civil, coronel Benício Ferrari Júnior, o Espírito Santo pode sofrer impactos relacionados a fenômenos como tempestades tropicais, zonas de convergência e eventos associados ao El Niño e à La Niña.
As regiões serranas e o sul do Estado são apontados como áreas que demandam atenção especial devido à combinação de relevo acidentado e maior suscetibilidade a deslizamentos e enchentes.
“O excesso de chuva altera a estabilidade dos solos e pode provocar escorregamentos. Ao mesmo tempo, o aumento do volume de água nas bacias hidrográficas favorece enchentes e inundações”, explicou o coordenador.
Tecnologia auxilia no monitoramento 24 horas
O monitoramento climático do Estado é realizado pelo Centro de Inteligência de Defesa Civil, que opera ininterruptamente.
A equipe utiliza modelos matemáticos, imagens de satélite, radares meteorológicos e sistemas de previsão para identificar situações de risco com antecedência.
Quando são detectadas condições favoráveis à ocorrência de eventos extremos, a Defesa Civil intensifica o acompanhamento e aciona os municípios para adoção de medidas preventivas.
Com base nessas informações, também são emitidos alertas direcionados à população.
Papel da população é fundamental
Especialistas ressaltam que a adaptação às mudanças climáticas não depende apenas de grandes obras de infraestrutura.
Pequenas atitudes da população podem contribuir significativamente para reduzir riscos, como:
- Não descartar lixo em ruas e bueiros;
- Preservar áreas permeáveis;
- Evitar ocupações em encostas e áreas de risco;
- Acompanhar alertas meteorológicos oficiais;
- Planejar rotas de evacuação e locais seguros em situações de emergência.
A Defesa Civil orienta ainda que moradores de áreas vulneráveis mantenham planos familiares de emergência e estejam atentos aos avisos emitidos pelos órgãos oficiais.
Preparação para enfrentar os desafios climáticos
Com investimentos em infraestrutura, monitoramento permanente e políticas públicas voltadas à adaptação climática, o Espírito Santo busca fortalecer sua capacidade de resposta diante dos impactos previstos para os próximos anos.
A combinação entre planejamento, prevenção e participação da sociedade é apontada pelos especialistas como o caminho mais eficaz para reduzir prejuízos, proteger vidas e aumentar a resiliência das cidades frente aos desafios impostos pelas mudanças do clima.
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