A economia do Nordeste cresceu 2,5% no período de agosto de 2025 a julho de 2026, igualando o resultado da Região Sul e alcançando uma das maiores taxas de expansão do país. O desempenho ficou acima da média nacional, de 1,5%, conforme análise do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene), ligado ao Banco do Nordeste (BNB).
O levantamento mostra que o Nordeste e o Sul lideraram o crescimento econômico entre as regiões brasileiras no período analisado. O Norte registrou avanço de 1,5%, mesmo percentual observado para o Brasil, enquanto o Sudeste apresentou expansão de 1,7%. Já o Centro-Oeste teve desaceleração mais acentuada ao longo dos 12 meses.
Entre os estados nordestinos avaliados, Pernambuco apresentou o melhor resultado, com crescimento de 3,6%. O índice representa mais que o dobro da média nacional e evidencia o ritmo da atividade econômica pernambucana. Na sequência aparecem o Rio Grande do Norte, com 2,1%, o Ceará, com 1,7%, o Maranhão, com 1,6%, e a Bahia, com 1,4%.
Para o superintendente do Banco do Nordeste em Pernambuco, Hugo Luiz de Queiroz, a oferta de crédito tem contribuído para estimular os investimentos e movimentar a economia estadual. Segundo ele, o banco financiou R$ 7,8 bilhões em Pernambuco em 2025, volume quase 25% superior ao registrado no ano anterior. Entre janeiro e julho de 2026, foram liberados mais R$ 4,3 bilhões.
Na avaliação do representante do BNB, os financiamentos ajudam empresas a ampliar suas operações, viabilizam novos projetos e contribuem para a geração de empregos e o fortalecimento do consumo. A circulação desses recursos também pode beneficiar outros segmentos da economia, criando oportunidades para negócios de diferentes portes.
O estudo utiliza como referência o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), indicador acompanhado pelo mercado por oferecer sinais sobre o comportamento da economia antes da divulgação de estatísticas mais abrangentes. O pesquisador do Etene Biagio de Oliveira Mendes Junior, responsável pela análise, destaca a importância do índice para monitorar a evolução da atividade econômica brasileira.
Entre os destaques estaduais, o Rio Grande do Norte apresentou uma trajetória consistente de recuperação, segundo o pesquisador. O Ceará, por sua vez, manteve uma evolução gradual, com o indicador permanecendo acima da média nacional. Apesar dos resultados positivos, a análise aponta perda de ritmo no crescimento nordestino desde abril de 2026, quando a taxa anualizada chegou a 3%. Em julho, o índice recuou para 2,5%, movimento associado, em parte, ao desempenho da indústria e dos serviços em determinados estados.
No conjunto da economia brasileira, a agropecuária liderou o crescimento setorial no acumulado de 12 meses até julho de 2026, com alta de 2,3%. Os serviços avançaram 1,9%, enquanto a indústria registrou expansão de 0,7%. De acordo com o levantamento, a desaceleração econômica nacional ao longo de 2026 esteve concentrada principalmente na agropecuária, enquanto o setor de serviços continuou contribuindo para sustentar a atividade econômica.
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