A decisão do Partido Liberal (PL) de expulsar o deputado federal Antonio Carlos Rodrigues (SP) movimentou os bastidores da política em Brasília. O parlamentar foi desligado da legenda no dia 31 de julho de 2025, após se posicionar contra as sanções impostas pelos Estados Unidos ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
Em declarações públicas, Rodrigues classificou como “absurda” a aplicação da Lei Magnitsky contra Moraes e criticou o então presidente norte-americano Donald Trump, dizendo que ele deveria “cuidar dos Estados Unidos” em vez de interferir nos assuntos internos do Brasil.
A fala repercutiu negativamente dentro do PL, que nos últimos anos consolidou forte aproximação com o ex-presidente Jair Bolsonaro e o eleitorado alinhado à direita. Pressionado pela bancada, o presidente da sigla, Valdemar Costa Neto, oficializou a expulsão.
Trajetória política
Antonio Carlos Rodrigues tem uma longa carreira política. Foi vereador de São Paulo por quatro mandatos consecutivos e chegou a presidir a Câmara Municipal em dois períodos. Assumiu como suplente de Marta Suplicy no Senado entre 2012 e 2014 e, no ano seguinte, foi nomeado ministro dos Transportes no governo Dilma Rousseff.
Em 2022, elegeu-se deputado federal com mais de 73 mil votos em São Paulo. Considerado uma voz moderada dentro do PL, Rodrigues atuava como interlocutor entre o partido e ministros do Supremo.
Repercussão e futuro político
A expulsão abriu espaço para especulações sobre o futuro do parlamentar. Poucos dias depois da decisão, Rodrigues foi recebido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio da Alvorada, sinalizando possíveis novas articulações políticas fora do campo bolsonarista.
O episódio expõe mais uma fissura no PL, partido que abriga a maior bancada da Câmara, mas que vive tensões internas diante da relação entre aliados de Bolsonaro e parlamentares de perfil mais independente.
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