O Dia Mundial da Alimentação, celebrado nesta sexta-feira (16), destaca a importância da união entre agricultores familiares, organizações comunitárias e iniciativas de assistência social para combater a fome no Brasil. A experiência de produtores rurais e cozinhas solidárias mostra como o trabalho coletivo pode ampliar o acesso à alimentação e fortalecer a segurança alimentar de milhares de pessoas.
Em julho de 2026, a Organização das Nações Unidas reafirmou que o Brasil manteve, nos últimos três anos, o percentual da população em situação de subalimentação abaixo de 2,5%. O resultado representa um avanço no enfrentamento da fome e está associado a políticas públicas e iniciativas sociais voltadas à garantia do direito à alimentação.
Em Brasília, um exemplo desse esforço é a Cozinha Solidária Cantinho da Vovó, coordenada por dona Maria do Cerrado. O espaço atende mais de 800 pessoas em situação de vulnerabilidade e conta com a participação de 37 voluntários, que trabalham três vezes por semana na organização, no preparo e na distribuição das refeições.
Além de oferecer comida, a iniciativa procura criar um ambiente de convivência e acolhimento. Para dona Maria, compartilhar uma refeição também ajuda a aproximar as pessoas, abrir espaço para o diálogo e enfrentar conflitos familiares. O trabalho é realizado com cuidado e respeito, considerando a alimentação não apenas uma necessidade básica, mas também uma forma de cuidado com o próximo.
A cozinha também distribui 200 cestas básicas para famílias em situação de maior vulnerabilidade, cadastradas no programa. Parte dos alimentos utilizados nas refeições e entregues à comunidade chega diretamente da agricultura familiar, por meio de uma parceria que aproxima pequenos produtores de quem mais precisa.
Uma das fornecedoras é Hosana Alves do Nascimento, filha de agricultores familiares que transformou uma área urbana em São Sebastião, no Distrito Federal, em um sistema agroflorestal. No local, ela cultiva hortaliças, verduras e raízes, além de árvores frutíferas e espécies oleaginosas. A produção segue princípios agroecológicos, sem utilização de agrotóxicos, e busca aproveitar ao máximo o espaço disponível.
A conexão entre a produtora e a cozinha solidária ocorre por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), política pública do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar que viabiliza a compra de produtos da agricultura familiar e seu encaminhamento a iniciativas de atendimento social. As cozinhas solidárias, por sua vez, integram ações voltadas à população que enfrenta dificuldades para garantir a própria alimentação.
De acordo com Lilian Rahal, secretária de Segurança Alimentar e Nutricional do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, essa articulação permite levar alimentos frescos e nutritivos a comunidades que nem sempre são alcançadas diretamente pelos serviços públicos. A diversidade também faz diferença: Hosana relata que uma criança se surpreendeu ao saber que poderia comer melancia, episódio que evidenciou a dificuldade de acesso até mesmo a frutas comuns para parte da população.
A ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli, ressalta que as cozinhas solidárias ganharam força a partir da mobilização da sociedade civil durante a pandemia, quando comunidades se organizaram para oferecer refeições a pessoas em situação de insegurança alimentar.
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