A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) identificou risco crítico de influência ou interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras de 2026. A avaliação consta de um relatório reservado encaminhado no fim de agosto à Presidência da República, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Ministério da Justiça.
O conteúdo foi revelado no sábado (19) pela Folha de S.Paulo e confirmado pela TV Brasil. Segundo o documento, as medidas adotadas pelo governo de Donald Trump podem afetar o ambiente político brasileiro em meio às tensões comerciais e diplomáticas entre os dois países.
A Abin avalia que Washington busca reafirmar sua influência na América Latina e reduzir a presença de potências concorrentes, especialmente a China. A disputa envolve o acesso a recursos naturais, riquezas minerais, infraestrutura e outros setores estratégicos da região.
O relatório também menciona a atuação do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, e a aproximação dos Estados Unidos com governos alinhados aos seus interesses políticos e econômicos.
Entre os fatores de preocupação estão as tarifas impostas a produtos brasileiros, as restrições diplomáticas e as sanções contra pessoas e empresas acusadas de envolvimento em operações de lavagem de dinheiro relacionadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo a Abin, essas medidas podem atingir instituições financeiras, empresas e operações comerciais brasileiras.
As tensões aumentaram após Trump criticar o combate ao PCC e ao Comando Vermelho no Brasil, enquanto elogiava governos de países como Argentina, Equador e El Salvador.
Outro episódio citado no contexto da crise foi a lista de 21 exigências apresentada pelos Estados Unidos, em outubro de 2025, para aliviar as tarifas comerciais. Entre as condições estava a realização de eleições livres e justas no Brasil, com participação de dissidentes políticos sem restrições arbitrárias.
A divulgação do relatório ocorre às vésperas da Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Na quarta-feira (16), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que pretende dizer a Trump para não interferir nas eleições brasileiras. Os dois presidentes têm discursos previstos para terça-feira (22).
Até a divulgação inicial das informações, o governo federal não havia se manifestado oficialmente sobre o relatório.
A avaliação da Abin não comprova que houve interferência norte-americana no processo eleitoral. O documento identifica riscos e possíveis consequências das ações de Washington, em um cenário de disputas comerciais, políticas e diplomáticas às vésperas do primeiro turno, marcado para 4 de outubro.
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