A pequena e rica cidade de Presidente Kennedy, no sul do Espírito Santo, com seus 13.120 mil habitantes e uma economia impulsionada pela produção de petróleo, encontra-se em um turbilhão político e financeiro. A anulação do resultado da eleição majoritária de 2024, que viu o então prefeito Dorlei Fontão (PSB) vencer, mas ser impedido de tomar posse por buscar um terceiro mandato consecutivo – uma conduta vedada pela legislação eleitoral – agravou uma crise já profunda que assola o município.
Atualmente, a gestão da cidade está nas mãos do presidente da Câmara de Vereadores, Júnior de Gromogol (PSB), que exerce o governo interino enquanto o calendário para uma nova eleição não é definido. Este vácuo de poder e a instabilidade institucional têm mobilizado lideranças políticas tanto no âmbito regional quanto nacional, que agora buscam ativamente um caminho para a pacificação.
Um sinal promissor surgiu nesta terça-feira (14), quando o presidente da Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales), Marcelo Santos (União Brasil), reuniu-se com o ex-prefeito Aluízio Corrêa, filiado ao mesmo partido. A imagem do encontro, postada nos stories de Santos no Instagram, foi acompanhada da declaração de que o encontro foi pautado por “diálogo e parceria com o ex-prefeito de Presidente Kennedy, Aluizio Corrêa, sobre as necessidades da região e da comunidade”.
No entanto, as intenções por trás desse encontro parecem ir além de um simples diálogo. Fontes indicam que Marcelo Santos estaria articulando a unificação de um amplo arco de alianças, visando incluir o próprio grupo de Dorlei Fontão em um projeto de pacificação.
O objetivo é claro: consolidar um novo ciclo que ponha fim aos escândalos evidenciados por operações policiais como a “Lee Oswald” (2012) e a “Rubi” (2020), que projetaram uma imagem altamente negativa da cidade para todo o Brasil.
A metáfora com o ex-presidente norte-americano John F. Kennedy, cujo nome a cidade carrega, é dolorosa. Se Kennedy foi abatido em Dallas, a imagem da cidade que o homenageia “sangra” em decorrência de episódios que ainda permeiam o cotidiano local, provocando constrangimentos coletivos e minando a confiança na gestão pública.
A construção desse processo de pacificação em curso passaria pela apresentação de uma candidatura no pleito extemporâneo. Essa candidatura seria o ponto central de uma frente ampla, agregando diversas forças políticas em uma coalizão destinada a conter a crise política, financeira e institucional.
A ideia é que o candidato seja alguém sem “barreiras jurídicas”, desimpedido, e capaz de dialogar com os mais variados segmentos políticos locais, além de manter um canal direto com a Assembleia Legislativa e o governo estadual.
As discussões para essa frente ampla não estão dissociadas do ex-prefeito Dorlei Fontão. Há indícios de que o movimento conta com o beneplácito do presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda. Embora Dorlei atualmente controle o PSB local, a possibilidade de o União Brasil encabeçar a frente pela pacificação não está descartada. Tal arranjo sinalizaria um esforço conjunto para encerrar o ciclo de instabilidade que se arrasta desde 2012, buscando restaurar a governabilidade e a imagem de Presidente Kennedy.
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