O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou neste domingo (4) a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmando que ela poderá “pagar um preço muito alto” caso não alinhe suas políticas às exigências da Casa Branca. A declaração foi dada em entrevista à revista The Atlantic.
“Se ela não fizer a coisa certa, pagará um preço muito alto, provavelmente maior do que (Nicolás) Maduro”, disse Trump, ao comentar a captura do presidente venezuelano e de sua esposa, Cilia Flores, ocorrida no sábado (3) durante uma operação militar dos Estados Unidos.
Na entrevista, Trump também afirmou que não tolerará o que classificou como uma “rejeição desafiadora” de Delcy Rodríguez à intervenção armada norte-americana na Venezuela.
Questionado sobre por que uma eventual mudança de regime na Venezuela seria diferente de intervenções anteriores às quais ele já se opôs, como a do Iraque, Trump atribuiu a responsabilidade ao ex-presidente George W. Bush. “Eu não invadi o Iraque. Isso foi obra do Bush. Nunca deveríamos ter intervido lá. Aquilo desencadeou o desastre no Oriente Médio”, afirmou.
Ataque e reação do governo venezuelano
No sábado (3), os Estados Unidos realizaram um ataque descrito pelo governo venezuelano como “em grande escala” em território do país. Segundo Caracas, a ofensiva atingiu a capital, Caracas, e os estados de Miranda, La Guaira e Aragua, resultando em vítimas entre militares e civis. O governo classificou a operação como uma “agressão militar gravíssima”.
Delcy Rodríguez exigiu a “libertação imediata do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa” e reiterou que Maduro continua sendo o “único presidente da Venezuela”.
Após a detenção de Maduro — classificada pelo governo venezuelano como um “sequestro” — o Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela determinou que Delcy Rodríguez assuma interinamente a Presidência. Maduro e a primeira-dama, Cilia Flores, foram transferidos para os Estados Unidos e permanecem detidos em Nova York, onde aguardam julgamento por acusações que incluem conspiração narcoterrorista, tráfico internacional de drogas e posse de armas de uso restrito.
Repercussão internacional
Diversos países se manifestaram pedindo a libertação de Nicolás Maduro e de sua esposa. A Rússia repudiou o ataque dos Estados Unidos e afirmou que a Venezuela deve ter o direito de decidir seu próprio destino sem qualquer tipo de intervenção externa.
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