O primeiro paciente tratado com uma vacina personalizada de mRNA contra o câncer desenvolvida na Rússia apresentou evolução clínica considerada positiva e já demonstra a resposta imunológica esperada pelos pesquisadores. A informação foi divulgada por Alexander Gintsburg, diretor do Centro Nacional de Pesquisa em Epidemiologia e Microbiologia Gamaleya, em Moscou.
O voluntário é um homem de 60 anos diagnosticado com melanoma cutâneo e residente na região de Kursk. Segundo o diretor do instituto, o tratamento segue conforme o protocolo estabelecido e o paciente ainda receberá mais duas aplicações da vacina experimental.
O imunizante está sendo desenvolvido pelo Instituto Gamaleya e é administrado no Instituto Hertzen, referência em oncologia no país. A tecnologia utiliza o RNA mensageiro (mRNA) para estimular o sistema imunológico a reconhecer e combater células tumorais de forma personalizada.
Em março deste ano, o Ministério da Saúde da Rússia anunciou que terapias personalizadas contra o câncer passarão a integrar o programa nacional de assistência médica gratuita.
A medida prevê a inclusão de novos tratamentos de alta complexidade destinados a pacientes oncológicos, ampliando o acesso a tecnologias desenvolvidas especificamente para cada caso.
Além das vacinas de mRNA, pesquisadores russos trabalham em outras abordagens para fortalecer o combate ao câncer.
Uma delas são as vacinas peptídicas, produzidas a partir de versões sintéticas de antígenos presentes nos tumores. Esses imunizantes têm como objetivo estimular o sistema imunológico a identificar e atacar as células cancerígenas. Um dos projetos em desenvolvimento é voltado ao tratamento do câncer colorretal.
Outra linha de pesquisa utiliza vírus oncolíticos, modificados em laboratório para infectar seletivamente células malignas e destruí-las, preservando os tecidos saudáveis. Entre os candidatos em estudo está o EnteroMix.
Pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisa em Ciências Médicas de Radiologia do Ministério da Saúde da Rússia também utilizam inteligência artificial para identificar mutações genéticas relacionadas aos tumores.
Segundo os cientistas, a tecnologia auxilia na análise do genoma humano e pode acelerar o desenvolvimento de tratamentos personalizados com potencial para aumentar a eficácia das terapias contra diferentes tipos de câncer.
Embora os resultados iniciais sejam considerados promissores, as vacinas ainda passam por etapas de avaliação clínica para comprovar sua segurança e eficácia antes de uma adoção em larga escala.
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