O governo dos Estados Unidos entrou em paralisação oficial (shutdown) nesta quarta-feira (1º), após democratas e republicanos não chegarem a um acordo para aprovar o orçamento provisório. O bloqueio interrompeu o financiamento de parte das atividades federais e levou à suspensão temporária de centenas de milhares de funcionários públicos.
O que causou o shutdown?
O impasse começou quando senadores democratas barraram o projeto de financiamento aprovado pela Câmara dos Representantes, controlada pelos republicanos. A proposta democrata, que previa subsídios adicionais para a saúde, também foi rejeitada.
Sem consenso, o diretor do Escritório de Administração e Orçamento, Russell Vought, orientou as agências federais a executarem um “fechamento ordenado”.
O valor em disputa é de US$ 1,7 trilhão (R$ 9 trilhões) para manter agências federais em funcionamento, cerca de 25% do orçamento total de US$ 7 trilhões. O restante é direcionado principalmente a programas de saúde, previdência e ao pagamento de juros da dívida pública, hoje em US$ 37,5 trilhões (R$ 199 trilhões).
Quem será afetado?
- Aproximadamente 750 mil funcionários públicos devem ser suspensos temporariamente, com risco de demissão.
- Até 4 milhões de servidores federais, incluindo 2 milhões de militares, podem ficar sem salário. Muitos soldados da Guarda Nacional, já mobilizados em cidades americanas, também terão que trabalhar sem remuneração.
- Serviços como pesquisas científicas, fiscalização, voos e parques nacionais serão diretamente prejudicados.
- Benefícios obrigatórios, como Seguridade Social, Medicare e o serviço postal, devem continuar funcionando.
Por que este shutdown pode ser mais grave?
Desde 1977, os EUA já enfrentaram cerca de 20 paralisações orçamentárias. A mais longa ocorreu entre 2018 e 2019, também sob o governo Trump, durando 35 dias. Agora, analistas alertam que a atual paralisação pode ser ainda mais severa devido à polarização política, agravada após o assassinato do ativista conservador Charlie Kirk.
O que disse Donald Trump?
O presidente Donald Trump afirmou que “não queria a paralisação”, mas a considerou uma oportunidade de “eliminar programas desnecessários”. Ele prometeu cortes na folha de pagamento federal e acusou os democratas de defenderem “fronteiras abertas” e “agenda transgênero”.
“Vamos demitir muita gente. Serão democratas”, declarou.
Trump também indicou que algumas prioridades de seu governo, como a agenda de deportações, podem avançar mesmo com o shutdown.
Impacto econômico
Além do impacto direto sobre os servidores, a paralisação pode prejudicar a economia americana, já que a publicação de indicadores e dados oficiais pode ser suspensa, dificultando a gestão do país em meio a um cenário de incertezas.
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