O crescimento das exportações brasileiras para China, Europa e Índia no primeiro semestre de 2026 superou em mais de seis vezes a redução das vendas aos Estados Unidos, segundo o presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Laudemir Müller.
De acordo com o dirigente, enquanto as exportações para o mercado norte-americano recuaram cerca de US$ 2,6 bilhões devido às tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos, os embarques para os três principais destinos alternativos cresceram aproximadamente US$ 16,1 bilhões no mesmo período.
As declarações foram feitas nesta sexta-feira (17), durante o anúncio de um novo plano de R$ 130 milhões destinado a apoiar empresas brasileiras na diversificação de mercados internacionais.
Segundo Müller, o desempenho das exportações demonstra que a estratégia de ampliar a presença brasileira em outros mercados já apresenta resultados concretos.
No primeiro semestre, as vendas para a China cresceram US$ 10,5 bilhões. Para a Europa, o avanço foi de US$ 3,1 bilhões, enquanto a Índia ampliou suas compras em US$ 2,5 bilhões.
Na avaliação do presidente da ApexBrasil, a abertura de novos mercados reduziu a dependência do comércio com os Estados Unidos e fortaleceu a presença do Brasil em economias com elevado potencial de crescimento.
A ApexBrasil lançará em agosto um programa de R$ 130 milhões para acelerar a diversificação das exportações brasileiras.
O projeto será desenvolvido em parceria com 57 setores econômicos e atenderá aproximadamente 2,4 mil empresas exportadoras.
Segundo Müller, o objetivo não é apenas ampliar as vendas externas, mas identificar novas oportunidades comerciais diante das mudanças no cenário internacional.
Entre os mercados considerados estratégicos estão os países da União Europeia, impulsionados pelo acordo comercial com o Mercosul, além das nações da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), como Indonésia, Malásia, Tailândia e Vietnã.
A ApexBrasil também pretende ampliar a presença brasileira em países da Ásia Central, como Cazaquistão e Uzbequistão, que apresentam crescimento econômico acelerado e aumento da demanda por produtos brasileiros.
Segundo Müller, essas economias registram expansão anual entre 7% e 8% do Produto Interno Bruto (PIB), possuem população jovem e buscam fortalecer parcerias comerciais e investimentos com o Brasil.
O presidente da agência informou que a diversificação das exportações já vem ocorrendo desde a adoção das primeiras tarifas pelos Estados Unidos, em 2025.
Entre junho de 2025 e maio de 2026, cerca de 72% das 2,4 mil empresas apoiadas pela ApexBrasil passaram a exportar para pelo menos um novo mercado internacional.
Além disso, Müller destacou que as negociações comerciais do Mercosul com Índia, Japão e Canadá poderão abrir novas oportunidades para os produtos brasileiros, fortalecendo a competitividade das empresas nacionais e reduzindo a concentração das exportações no mercado norte-americano.
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