A infertilidade entre mulheres de 35 a 49 anos pode crescer de forma acelerada nos próximos anos e se tornar um dos principais desafios da saúde reprodutiva global. É o que aponta um estudo divulgado nesta terça-feira (8) pela revista científica The Lancet, que estima que o número de mulheres afetadas nessa faixa etária poderá alcançar 80 milhões até 2036.
A projeção representa um aumento de quase 50% em comparação com os 53,6 milhões de casos registrados em 2023. O estudo foi elaborado a partir da análise de dados de 204 países e revela que o avanço do problema está ligado tanto a fatores biológicos quanto a transformações sociais observadas em várias partes do mundo.
Entre os aspectos centrais identificados pelos pesquisadores está o adiamento da maternidade. Com mudanças no comportamento reprodutivo e a busca por maior estabilidade econômica e profissional, muitas mulheres têm optado por engravidar mais tarde. Esse cenário coincide com o período em que ocorre a redução natural da reserva ovariana, o que pode comprometer as chances de gestação.
Os autores também apontam que o envelhecimento da população amplia o contingente de mulheres em idade de maior vulnerabilidade à infertilidade. Ao mesmo tempo, fatores relacionados ao estilo de vida moderno, como obesidade, níveis elevados de estresse e exposição a poluentes, aparecem como agravantes que podem afetar a saúde reprodutiva.
No recorte geográfico, o estudo indica que o Leste Asiático deverá registrar o maior número de casos, seguido pelo Sul da Ásia. A região andina da América Latina, por sua vez, aparece com uma das maiores taxas de crescimento da infertilidade, o que chama atenção para a necessidade de respostas regionais mais eficazes.
Apesar das diferenças entre os continentes, os especialistas destacam que a infertilidade é uma questão global e que o avanço do problema deve pressionar os sistemas de saúde. A pesquisa também chama atenção para a desigualdade no acesso aos tratamentos, que seguem caros e concentrados em determinados países e grupos sociais.
Segundo o relatório, esse cenário exige políticas públicas voltadas à educação reprodutiva, ao planejamento familiar e à ampliação dos serviços especializados. A democratização do acesso a exames, acompanhamento médico e tratamentos de fertilidade é apontada como uma das medidas mais urgentes para enfrentar o aumento projetado nas próximas décadas.
O estudo reforça que a infertilidade não deve ser tratada apenas como uma questão individual, mas como um desafio coletivo de saúde pública. Diante da tendência de crescimento, especialistas defendem estratégias integradas para garantir prevenção, informação e cuidado adequado às mulheres em diferentes contextos sociais.
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