O embaixador do Irã no Brasil,Abdollah Nekounam,afirmou nesta segunda-feira (2), em Brasília, que os Estados Unidos não buscam um acordo nuclear genuíno com Teerã. Segundo ele, as negociações poderiam avançar por meio do diálogo, mas estariam sendo prejudicadas por ações de Washington e de Israel.
De acordo com o diplomata, estava prevista uma reunião técnica em Viena, mediada pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), para tratar de questões nucleares. No entanto, ele afirmou que o processo teria sido “atacado” por Estados Unidos e Israel.
Durante coletiva na Embaixada do Irã, em Brasília, Nekounam acusou Washington e Tel Aviv de utilizarem as negociações como “farsa” para promover uma mudança de regime em Teerã. Ele também criticou a postura do presidente norte-americano Donald Trump, afirmando que o líder dos EUA age como se fosse “rei do mundo”.
Mudança na liderança iraniana
O embaixador declarou que, após a morte do Líder Supremo Ali Khamenei, no último sábado (28), o país nomeou rapidamente um Conselho de Liderança Interino para garantir a continuidade do comando do Estado até que a Assembleia dos Especialistas escolha o novo líder.
Segundo ele, a estrutura de poder iraniana segue funcionando de forma “contínua, firme e poderosa”, afastando especulações sobre eventual instabilidade institucional.
Acusações, guerra e programa nuclear
Nekounam reiterou que o programa nuclear iraniano tem fins pacíficos e que o país estaria disposto a inspeções internacionais. Por outro lado, Estados Unidos e Israel alegam que as ações contra o Irã seriam preventivas, diante do risco de desenvolvimento de armas nucleares.
O acordo nuclear firmado em 2015, durante o governo Barack Obama, foi abandonado pelos EUA ainda no primeiro mandato de Trump. Desde então, as tensões aumentaram na região.
O chanceler de Omã,Badr bin Hamad Albusaidi, que atua como mediador entre Washington e Teerã, havia informado recentemente que as partes estariam próximas de um entendimento.
Caso Epstein citado
O embaixador também questionou a legitimidade dos EUA para exercer liderança global ao mencionar o caso do financista Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais. Ele criticou figuras da elite política norte-americana supostamente ligadas ao empresário.
Posição do Brasil
Nekounam agradeceu a manifestação do Ministério das Relações Exteriores, que condenou o uso da força no conflito. Segundo o diplomata, a posição brasileira valoriza princípios como soberania, integridade territorial e independência dos Estados.
Ele defendeu ainda o direito do Irã de responder a ataques contra bases militares dos adversários, argumentando tratar-se de legítima defesa.
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