Uma equipe de cirurgiões do Reino Unido realizou um procedimento considerado inédito ao usar inteligência artificial (IA) em tempo real durante uma cirurgia cerebral. A tecnologia ajudou os médicos a retirar um tumor e, ao mesmo tempo, proteger a visão do paciente.
A operação aconteceu no Hospital Nacional de Neurologia e Neurocirurgia, em Londres, e foi divulgada nesta quinta-feira (27) pelo University College London Hospitals (UCLH).
O paciente, Rhys Hibbert, de 48 anos, tinha um tumor de 11 milímetros na hipófise. A localização da lesão era especialmente delicada, já que ficava muito próxima de vasos sanguíneos e dos nervos ópticos.
Por causa dessa proximidade, pequenos desvios durante a cirurgia poderiam causar danos permanentes à visão. Foi nesse ponto que a inteligência artificial passou a ter um papel importante no procedimento.
Durante a operação, o sistema analisou em tempo real as imagens captadas pelo endoscópio usado pelos cirurgiões. A ferramenta ajudou a equipe a reconhecer estruturas importantes e a identificar áreas que exigiam maior cuidado.
A tecnologia foi desenvolvida por especialistas da University College London e recebeu treinamento com centenas de vídeos de cirurgias realizadas anteriormente.
Até então, o sistema era utilizado principalmente para ajudar na formação e no treinamento de médicos. A cirurgia de Rhys, porém, marcou a primeira vez em que a ferramenta foi usada diretamente durante um procedimento real.
A proposta não é substituir os médicos, mas oferecer informações adicionais enquanto a cirurgia acontece. Com a análise das imagens em tempo real, a equipe pode ter uma visão mais precisa das estruturas encontradas durante o procedimento e tomar decisões com mais segurança.
O caso também mostra como a inteligência artificial vem ganhando espaço na medicina, especialmente em procedimentos nos quais a precisão é fundamental. Em cirurgias delicadas, ferramentas capazes de analisar imagens rapidamente podem ajudar os profissionais a identificar estruturas que precisam ser preservadas.
A utilização da IA em operações ainda está em desenvolvimento e depende da avaliação e do controle das equipes médicas. Mesmo assim, o procedimento realizado em Londres representa um passo importante na pesquisa de novas formas de combinar tecnologia e conhecimento médico para aumentar a segurança dos pacientes.
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