O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que o governo brasileiro apresentou às autoridades dos Estados Unidos argumentos que contestam a proposta de aplicação de tarifas sobre produtos brasileiros. Segundo o chanceler, as justificativas utilizadas por Washington para impor uma taxação de 25% às exportações do Brasil “não são legítimas”.
A declaração foi feita após reunião com o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, realizada durante encontro ministerial da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em Paris, na França.
De acordo com Mauro Vieira, o diálogo com as autoridades norte-americanas continua em andamento e o governo brasileiro espera que as informações apresentadas sejam consideradas na avaliação final do caso.
Brasil contesta investigação comercial
O impasse teve origem em uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que recomendou a adoção de uma tarifa de 25% sobre determinados produtos brasileiros.
O relatório norte-americano aponta supostas práticas comerciais consideradas “irrazoáveis” ou “discriminatórias”, envolvendo setores como comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, propriedade intelectual, combate à corrupção, acesso ao mercado de etanol e questões relacionadas ao desmatamento ilegal.
Segundo Mauro Vieira, o Brasil forneceu esclarecimentos técnicos sobre todos os pontos questionados e demonstrou que as alegações apresentadas não justificam a adoção de medidas tarifárias contra o país.
“O Brasil entregou todas as informações necessárias e espera que fique comprovado que não há razões para a aplicação dessas tarifas”, afirmou o ministro.
Durante o encontro, o chanceler também destacou que os resultados das investigações foram divulgados antes do prazo previsto em entendimentos anteriores entre os governos brasileiro e norte-americano.
Segundo Vieira, havia expectativa de que as análises fossem concluídas dentro de um cronograma discutido pelos presidentes dos dois países durante reunião bilateral realizada em maio.
Apesar das divergências, o ministro relatou que o representante comercial dos Estados Unidos afirmou que as negociações com o Brasil seguem em clima positivo e construtivo.
Agenda internacional inclui acordo Mercosul-União Europeia
Além do encontro com autoridades norte-americanas, Mauro Vieira participou de reuniões com representantes de diversos países e blocos econômicos.
Entre os compromissos esteve uma reunião com o comissário europeu para Comércio e Segurança Econômica, Maroš Šefčovič, na qual foram discutidos os próximos passos para a implementação do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia.
O chanceler brasileiro também se reuniu com autoridades da Coreia do Sul, Espanha, Canadá, Suíça e República Tcheca, reforçando a agenda diplomática voltada ao fortalecimento das relações comerciais e econômicas do Brasil com parceiros internacionais.
Governo busca preservar competitividade das exportações
A eventual aplicação das tarifas preocupa setores exportadores brasileiros, que acompanham as negociações entre os dois países.
O governo federal tem defendido que as relações comerciais sejam conduzidas com base em critérios técnicos e no diálogo diplomático, buscando evitar medidas que possam impactar a competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional.
As tratativas entre Brasil e Estados Unidos continuam e novas rodadas de negociação poderão ocorrer nos próximos meses.
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