A jogadora Tifanny, do Osasco São Cristóvão Saúde, se pronunciou pela primeira vez sobre a nova política de elegibilidade anunciada pela Confederação Brasileira de Voleibol (CBV). A medida estabelece novos critérios para a participação nas competições femininas e determina que as atletas estejam de acordo com requisitos relacionados ao sexo biológico feminino ao nascer.
A oposta, de 41 anos, tornou-se a primeira atleta transgênero a atuar na Superliga feminina, em 2017. Em manifestação divulgada pela assessoria de imprensa do Osasco, ela classificou a mudança como um “enorme retrocesso” e afirmou que pretende adotar medidas para defender sua permanência no esporte.
Segundo Tifanny, a nova política não afeta apenas sua carreira, mas também o clube, torcedores, patrocinadores e outras pessoas trans que acompanham sua trajetória.
A atleta afirmou ainda que não pretende abandonar a luta pela participação de pessoas trans no esporte e pela manutenção de sua carreira profissional.
O pronunciamento ocorreu depois da estreia do Osasco no Campeonato Paulista, realizada no sábado (15), no Ginásio José Liberatti. A equipe enfrentou o Pinheiros e perdeu por 3 sets a 2.
Tifanny teve participação importante na partida e marcou 19 pontos. O duelo terminou com parciais de 25/21, 25/16, 21/25, 23/25 e 15/11 para o Pinheiros, após pouco mais de duas horas de jogo.
A presença da oposta em quadra ocorreu mesmo após o anúncio da nova política da CBV porque a Federação Paulista de Volleyball (FPV) informou que o Campeonato Paulista continuaria seguindo o regulamento que estava em vigor desde o início da competição.
A federação também comunicou que eventuais mudanças para competições futuras dependerão de avaliações das áreas jurídica e de saúde.
A CBV anunciou os novos critérios de elegibilidade na sexta-feira (14). De acordo com a entidade, a atualização busca adequar as competições às regras estabelecidas pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) e pela Federação Internacional de Voleibol (FIVB).
Entre os requisitos anunciados está a apresentação de resultado negativo para o gene SRY, relacionado ao desenvolvimento das características sexuais masculinas.
A política anterior permitia a participação de mulheres trans mediante o cumprimento de critérios relacionados aos níveis de testosterona no organismo.
A nova regra passa a alcançar as edições deste ano da Superliga, nas duas principais divisões, e da Supercopa. Também está prevista para a Copa Brasil e para o Circuito Brasileiro de vôlei de praia a partir de 2027.
Tifanny atua no voleibol feminino profissional desde 2017 e entrou para a história da modalidade ao se tornar a primeira atleta trans a disputar a Superliga.
Em 2025, a jogadora conquistou o título da principal competição nacional pelo Osasco, tornando-se também a primeira atleta trans a levantar o troféu da Superliga feminina.
A nova política anunciada pela CBV abriu um novo capítulo no debate sobre critérios de elegibilidade e participação de atletas trans nas competições esportivas.
Enquanto a entidade afirma que a mudança busca adequação às normas internacionais, Tifanny contesta a medida e afirma que pretende utilizar os meios disponíveis para defender seu direito de continuar atuando profissionalmente.
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