Há mais de duas décadas, Márcia Honório da Silva segue ajudando a formar atletas e transformar o futebol brasileiro. Conhecida como Marcinha, a ex-meio-campista integrou a primeira seleção brasileira feminina que disputou o Torneio Experimental da Fifa, em 1988, na China — competição que serviu de base para a criação da Copa do Mundo Feminina.
Após encerrar a carreira nos gramados, Marcinha passou a atuar nas categorias de base do futsal paulista. Entre os atletas que ajudou a revelar estão Nonato, atualmente no Fluminense, e Rodrigo Nestor, hoje no Bahia.
Atualmente, ela coordena equipes infantis de futsal na Sociedade Esportiva e Recreativa de Caieiras, em Caieiras. Um dos nomes que passaram por suas mãos foi o lateral-esquerdo Matheus Bidu, hoje jogador do Corinthians.
Marcinha destaca as mudanças vividas pelo futebol feminino nas últimas décadas, especialmente a presença crescente de meninas praticando o esporte desde cedo.
“Na minha época, isso não podia”, relembrou em entrevista à Agência Brasil.
Reconhecimento histórico às pioneiras
As atletas que ajudaram a construir o futebol feminino brasileiro podem receber uma reparação histórica com o Projeto de Lei 1315/2026, que estabelece a Lei Geral da Copa do Mundo Feminina de 2027, a ser disputada no Brasil.
O texto prevê o pagamento de R$ 500 mil para jogadoras das seleções brasileiras de 1988 e 1991, em reconhecimento à contribuição histórica para o desenvolvimento da modalidade.
A proposta é inspirada em medida semelhante adotada durante a Copa do Mundo masculina de 2014, quando campeões mundiais das seleções de 1958, 1962 e 1970 receberam homenagem e reconhecimento financeiro.
“É resgatar uma dignidade que foi negada por décadas. O reconhecimento é muito importante, não só financeiramente”, afirmou Marcinha.
Legado das pioneiras
Outra referência da geração pioneira é Rosilane Camargo Motta, conhecida como Fanta. A ex-lateral-esquerda disputou o torneio de 1988 e participou de três edições da Copa do Mundo Feminina: 1991, 1995 e 1999.
Atualmente, Fanta dá aulas de futebol para meninas no Parque Oeste e atua em projetos sociais voltados ao fortalecimento do futebol feminino.
Durante a carreira, ela defendeu clubes históricos como Santos, Vasco da Gama e Radar, um dos maiores times femininos do Brasil nos anos 1980.
Fanta também relembra o período em que o futebol feminino foi proibido no Brasil entre 1941 e 1979, por meio do Decreto-Lei 3199, durante o governo de Getúlio Vargas.
“Acredito que a luta nunca foi em vão. A reparação é um legado deixado para a nova geração”, afirmou.
Expectativa para a Copa de 2027
As pioneiras veem a realização da Copa do Mundo Feminina da FIFA 2027 no Brasil como uma oportunidade histórica para consolidar avanços na modalidade.
Para Marcinha, o torneio pode impulsionar investimentos em categorias de base, profissionalização dos clubes e valorização das atletas.
“Espero que o Brasil mostre ao mundo que sabemos organizar um evento digno do futebol feminino”, destacou. Já Fanta acredita que o maior legado será o fortalecimento da união em torno do crescimento do esporte no país.
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