O Sport Club Corinthians Paulista firmou um acordo com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para regularizar uma dívida tributária acumulada ao longo de quase duas décadas. O passivo, estimado em cerca de R$ 1,2 bilhão e considerado de difícil recuperação, envolve débitos não previdenciários, previdenciários e valores relacionados ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).
Com a transação tributária, o clube vai pagar aproximadamente R$ 679 milhões em dinheiro após obter desconto de 46,6% sobre juros, multas e encargos — percentual inferior ao limite legal, que pode chegar a 70%. O pagamento será parcelado em até 120 vezes para os débitos não previdenciários e em 60 prestações para os previdenciários.
Os débitos não previdenciários somam cerca de R$ 1 bilhão, enquanto as pendências previdenciárias alcançam R$ 200 milhões. Já os valores referentes ao FGTS giram em torno de R$ 15 milhões.
No caso do FGTS, o Corinthians aderiu à modalidade oferecida pela Caixa Econômica Federal, que prevê desconto superior a 30% e parcelamento em 60 vezes. Para créditos de contribuição social, o acordo estabelece pagamento à vista com redução de 70%.
Garantias e compromisso fiscal
Como garantia do acordo, o clube ofereceu receitas provenientes da Timemania — loteria federal voltada ao financiamento de entidades esportivas — incluindo parcelas já vencidas. O Parque São Jorge Clube Esportivo, avaliado em R$ 602,2 milhões, também foi apresentado como garantia.
Outro ponto central da negociação é a exigência de manutenção da regularidade fiscal daqui em diante, com o pagamento adequado dos tributos correntes. A PGFN acompanhará o cumprimento das obrigações para assegurar os termos da transação.
Outros clubes também renegociaram dívidas
Diversas equipes do futebol brasileiro já firmaram acordos semelhantes com a PGFN. Em 2025, o Sport Club Internacional regularizou um passivo de R$ 150 milhões no âmbito do programa SOS-RS, criado para apoiar a recuperação econômica do Rio Grande do Sul após as enchentes de 2024.
Em 2023, o Sport Club do Recife negociou R$ 114 milhões em débitos inscritos na dívida ativa da União, com descontos superiores a 50%. Já em Minas Gerais, o Cruzeiro renegociou cerca de R$ 334 milhões, enquanto o Atlético Mineiro acertou aproximadamente R$ 42 milhões.
Outros grandes clubes, como Bahia, Vasco, Botafogo, Fluminense e Flamengo, também já aderiram a transações tributárias para regularizar pendências fiscais junto ao governo federal.
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