Com a reta final da Copa do Mundo se aproximando, uma campanha internacional voltou a cobrar da Federação Internacional de Futebol (Fifa) o fim do patrocínio de fabricantes de bebidas açucaradas nas competições organizadas pela entidade.
Batizada de “Tirem o Refrigerante de Campo”, a iniciativa reúne mais de 100 organizações da sociedade civil de diversos países, incluindo entidades brasileiras ligadas às áreas de saúde, alimentação, direitos da infância e defesa do consumidor.
O movimento questiona a associação entre grandes eventos esportivos e marcas de refrigerantes, argumentando que esse tipo de publicidade incentiva o consumo de bebidas relacionadas ao aumento dos casos de obesidade, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares.
Entre as organizações brasileiras que participam da campanha estão o Instituto de Defesa de Consumidores (Idec), o Instituto Desiderata e a Aliança pela Alimentação Adequada e Saudável.
Até esta terça-feira (14), cerca de 720 mil pessoas já haviam aderido ao movimento por meio da plataforma da campanha.
As entidades encaminharam uma carta aberta ao presidente da Fifa, Giovanni Infantino, solicitando que a entidade reveja seus contratos de patrocínio com fabricantes de refrigerantes, entre eles a Coca-Cola, patrocinadora histórica das competições da organização.
Segundo os organizadores da campanha, estudos científicos apontam que o aumento no consumo diário de bebidas adoçadas está associado ao crescimento do risco de obesidade, diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e mortalidade.
As entidades também alertam para o impacto da publicidade sobre crianças e adolescentes. De acordo com o movimento, uma única lata de refrigerante de 355 mililitros já pode ultrapassar a quantidade diária recomendada de açúcares livres para esse público.
Outro ponto destacado é o chamado “sportswashing”, termo utilizado para descrever a estratégia de associar produtos considerados prejudiciais à saúde a valores positivos do esporte, como bem-estar, desempenho e qualidade de vida.
Os organizadores lembram que campanhas semelhantes levaram à retirada gradual das empresas de tabaco do patrocínio de grandes eventos esportivos nas décadas de 1990 e 2000.
Para os defensores da iniciativa, a publicidade de bebidas açucaradas deveria seguir caminho semelhante diante das evidências sobre seus impactos na saúde pública.
A Agência Brasil informou que solicitou posicionamento da Fifa sobre a campanha, mas a entidade não havia se manifestado até a conclusão da reportagem.
Além das bebidas açucaradas, a publicidade das plataformas de apostas esportivas também tem sido alvo de críticas durante a Copa do Mundo.
No Brasil, recentemente, novas portarias estabeleceram regras mais rígidas para a divulgação desse tipo de serviço, determinando a inclusão de mensagens de alerta sobre os riscos do jogo, como dependência financeira e perdas econômicas.
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