O setor de serviços brasileiro registrou crescimento de 0,1% em fevereiro de 2026 na comparação com janeiro, alcançando o maior nível da série histórica iniciada em 2011. Na comparação com o mesmo mês de 2025, o avanço foi de 0,5%, marcando o 23º resultado positivo consecutivo. Os dados são da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), divulgada nesta terça-feira (14) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O desempenho mensal foi impulsionado principalmente pelas atividades de informação e comunicação, que avançaram 1,1%, consolidando o protagonismo do segmento desde o período pós-pandemia. Também contribuíram para o resultado positivo os transportes, com alta de 0,6%, influenciados sobretudo pelo transporte rodoviário de cargas, que cresceu 0,9%. No acumulado dos últimos 12 meses, o setor de serviços apresentou expansão de 2,7%.
De acordo com o analista da pesquisa, Luiz Carlos de Almeida Junior, o setor de informação e comunicação tem desempenhado papel central na evolução dos serviços no país. O crescimento está associado ao aumento da demanda por consultoria em tecnologia da informação, desenvolvimento de softwares sob encomenda, hospedagem na internet, tratamento de dados e serviços digitais.
Em fevereiro, três das cinco atividades investigadas pela PMS apresentaram expansão. Além de informação e comunicação e transportes, os serviços prestados às famílias cresceram 1,4%, recuperando parte da retração de 0,5% registrada em janeiro e registrando o melhor desempenho desde março de 2025. Por outro lado, os serviços profissionais, administrativos e complementares recuaram 0,3%, acumulando a terceira queda consecutiva, enquanto o grupo de outros serviços apresentou retração de 0,4%, devolvendo parte do avanço observado no mês anterior.
Comparação anual mantém trajetória positiva
Na comparação com fevereiro de 2025, o setor de serviços avançou 0,5%, com crescimento em três das cinco atividades analisadas e em 44,6% dos 166 tipos de serviços investigados. O principal impacto positivo veio novamente do segmento de informação e comunicação, que registrou alta de 4,9%.
Os serviços prestados às famílias também apresentaram desempenho relevante, com crescimento de 4,2%, impulsionado principalmente por restaurantes e hotéis. Já os serviços profissionais, administrativos e complementares avançaram 0,8%, com destaque para atividades jurídicas, intermediação de negócios por aplicativos ou plataformas de comércio eletrônico, agenciamento de publicidade e serviços de reservas de hospedagem.
Em contrapartida, os transportes registraram queda de 2,8% na comparação anual, pressionados pela redução das receitas provenientes do transporte aéreo de passageiros, logística de cargas e gestão de portos e terminais. O grupo de outros serviços também apresentou retração de 2,8%, influenciado principalmente por atividades auxiliares dos serviços financeiros e de seguros.
Desempenho regional
Regionalmente, 13 das 27 unidades da federação apresentaram crescimento no volume de serviços na comparação com janeiro. O principal impacto positivo veio do Rio de Janeiro, com alta de 1,0%, seguido por Bahia (1,7%), Rio Grande do Sul (1,1%) e Mato Grosso do Sul (4,2%). O avanço no estado fluminense foi impulsionado pelo aumento dos serviços audiovisuais, atividades jurídicas e edição.
Por outro lado, São Paulo exerceu a maior influência negativa, com recuo de 0,4%, impactado pela diminuição nos serviços de seleção de mão de obra, transporte aéreo e tecnologia da informação. Também registraram quedas Mato Grosso (-1,3%), Pará (-1,8%), Espírito Santo (-0,8%) e Alagoas (-2,3%).
Na comparação com fevereiro de 2025, apenas nove unidades da federação apresentaram crescimento. São Paulo liderou as contribuições positivas, com alta de 3,7%, seguido pelo Distrito Federal (4,5%) e Mato Grosso (2,7%). Em sentido oposto, as maiores retrações foram observadas no Rio de Janeiro (-3,6%), Minas Gerais (-3,7%), Paraná (-3,8%) e Ceará (-7,4%).
Turismo registra terceira queda consecutiva
O índice de atividades turísticas apresentou retração de 0,9% em fevereiro frente ao mês anterior, configurando o terceiro resultado negativo seguido e acumulando perda de 1,7% no período. Apesar da queda recente, o segmento ainda opera 11,4% acima do nível pré-pandemia (fevereiro de 2020) e 2,0% abaixo do pico histórico alcançado em dezembro de 2024.
Entre os 17 locais pesquisados, dez acompanharam o movimento de retração, com destaque para São Paulo (-1,8%), Pará (-11,2%), Rio de Janeiro (-0,5%), Rio Grande do Sul (-2,0%) e Ceará (-2,6%). Em contrapartida, Rio Grande do Norte (13,7%), Bahia (1,3%) e Pernambuco (2,1%) apresentaram crescimento.
Segundo o analista do IBGE, a queda recente não está relacionada à sazonalidade, já que os dados são ajustados para esse efeito. O principal fator para o recuo foi a diminuição do transporte aéreo de passageiros.
Transporte de cargas avança e passageiros ficam estáveis
O transporte de passageiros permaneceu estável (0,0%) em fevereiro na comparação com janeiro, após três quedas consecutivas que resultaram em perda acumulada de 4,9%. O segmento está 6,5% acima do nível pré-pandemia, mas ainda 18,2% abaixo do pico registrado em fevereiro de 2014.
Já o transporte de cargas apresentou crescimento de 0,9% no mês, recuperando parte das perdas dos dois meses anteriores. Apesar do avanço, o segmento permanece 3,9% abaixo do ponto mais alto da série histórica, alcançado em julho de 2023, e 38,8% acima do nível de fevereiro de 2020.
Na comparação com fevereiro de 2025, sem ajuste sazonal, o transporte de passageiros recuou 4,0%, interrompendo uma sequência de 17 resultados positivos, enquanto o transporte de cargas caiu 0,7%, encerrando nove meses consecutivos de crescimento.
A próxima divulgação da Pesquisa Mensal de Serviços, referente aos resultados de março de 2026, está prevista para o dia 15 de maio.
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