A 1ª Semana da Economia Brasileira teve início nesta segunda-feira (1º), no Rio de Janeiro, reunindo economistas, pesquisadores e acadêmicos para analisar os principais avanços registrados nos últimos 40 anos da economia nacional, desde a retomada da democracia. A abertura foi conduzida pelo diretor de Planejamento e Relações Institucionais do BNDES, Nelson Barbosa.
Barbosa destacou que, ao olhar apenas para o curto prazo, perde-se de vista a trajetória de transformações profundas vividas pelo país nas últimas décadas. Segundo ele, esta é a primeira de várias edições do evento, idealizado a partir de iniciativas conduzidas pelo banco desde a posse do presidente Aloizio Mercadante. “A proposta é recuperar o papel do BNDES na promoção do debate sobre a política econômica brasileira”, afirmou.
Durante a manhã, os participantes revisitaram momentos decisivos da economia nacional, como crises, fases de recuperação, redução da pobreza, ampliação do mercado de trabalho e expansão do emprego. Barbosa ressaltou que o Brasil conseguiu estabilizar sua economia e avançar em políticas sociais. “Reduzimos a pobreza, universalizamos o sistema público de saúde e estruturamos uma forte rede de transferência de renda, essencial para enfrentar situações de crise, como a pandemia de covid-19”, disse. Hoje, segundo ele, o país volta ao debate fiscal típico das democracias consolidadas.
Desafios em debate
Para Barbosa, discutir o futuro econômico do Brasil é fundamental em um cenário de grandes transformações. Ele defende a necessidade de construir consensos institucionais capazes de suportar choques e enfrentar desafios estruturais. “Somos um dos países mais desenvolvidos do mundo, mas com alto grau de desigualdade. Isso exige uma política tributária progressiva”, afirmou.
O diretor citou Mercadante ao reforçar que o desenvolvimento precisa alcançar toda a população. “Não é para 30%, é para todos. O desafio é crescer com inclusão.” Barbosa também destacou os avanços sociais e na diversidade registrados desde os anos 1980, incluindo a ampliação do acesso às universidades, especialmente para mulheres.
Entre os desafios do século 21, ele apontou as mudanças climáticas, que exigem forte atuação do Estado, investimentos de longo prazo e reconstrução de florestas. Outro ponto crítico é a transição demográfica: com a população vivendo mais e melhor, será necessário repensar sistemas de previdência, saúde e educação.
A transformação tecnológica também está no centro da discussão. Barbosa ressaltou que o Brasil mantém tradição na busca por inovação industrial, mas agora precisa se adaptar ao impacto da inteligência artificial e às novas dinâmicas da economia internacional, gerando empregos de qualidade.
Para ele, um debate aberto e transparente, que considere custos e benefícios de cada alternativa, é essencial. “Tudo tem risco, inclusive não fazer nada. Precisamos ouvir professores e pesquisadores”, concluiu.
A Semana da Economia Brasileira segue até o dia 5, com debates sobre temas que marcaram o país desde 1985, como crise da dívida externa, inflação alta, estabilização com crise cambial, crescimento com distribuição de renda e períodos de estagnação.
Compartilhe este conteúdo do Giro Capixaba, o melhor site de notícias do Estado do Espírito Santo.
Siga o GIRO CAPIXABA no Instagram


