O rebanho bovino brasileiro caiu pelo segundo ano consecutivo em 2025 e chegou a 234,3 milhões de cabeças, uma redução de 1,7% em relação a 2024. Segundo a Pesquisa da Produção da Pecuária Municipal (PPM), divulgada pelo IBGE nesta quarta-feira (30), esse foi o menor número desde 2022. A redução está relacionada principalmente ao aumento dos abates nos últimos quatro anos, especialmente de fêmeas. São Félix do Xingu (PA) manteve a liderança entre os municípios, com 2,7 milhões de bovinos.
Apesar da queda no rebanho, o valor da produção pecuária atingiu recorde de R$ 141,2 bilhões, alta de 6,2% em um ano. Os produtos de origem animal responderam por R$ 128 bilhões, enquanto a aquicultura movimentou R$ 13,2 bilhões. O leite de vaca liderou a geração de valor, com R$ 89,5 bilhões, seguido pelos ovos de galinha, com R$ 36,4 bilhões, e pelo mel, com R$ 1,2 bilhão. O Centro-Oeste concentrou o maior rebanho bovino, com 72,2 milhões de animais, enquanto o Nordeste foi a única região a registrar crescimento, chegando a 37,3 milhões.
A produção de leite apresentou resultado positivo mesmo com a redução do número de vacas ordenhadas. Foram produzidos 36,7 bilhões de litros em 2025, alta de 2,7% e novo recorde. O número de vacas ordenhadas caiu 2,7%, para 14,7 milhões, o menor contingente desde 1979. Já a produtividade aumentou 5,6%, chegando a 2.498,7 litros por vaca ao ano. Castro (PR) liderou a produção municipal, com 532,8 milhões de litros, enquanto a região Sul reassumiu a primeira posição nacional, com 12,5 bilhões de litros.
A produção de aves também alcançou marcas históricas. O efetivo de galináceos chegou a 1,6 bilhão de cabeças, crescimento de 1,6% em relação a 2024. Dentro desse total, havia 293,3 milhões de galinhas destinadas à produção de ovos, alta de 5,8%. Santa Maria de Jetibá (ES) permaneceu como principal município em número de galináceos, com 18,4 milhões de animais, além de liderar o efetivo de galinhas, com 15,1 milhões. O município capixaba também aparece na liderança da produção nacional de ovos.
O Brasil produziu 5,7 bilhões de dúzias de ovos em 2025, o maior volume da série histórica, que apresenta crescimento contínuo desde 1999. O valor da produção chegou a R$ 36,4 bilhões, avanço de 13,9%. O Sudeste concentrou 39,3% da produção, com 2,3 bilhões de dúzias, seguido pelo Sul, com 1,3 bilhão, e pelo Nordeste, com 1,1 bilhão. Os rebanhos de caprinos e ovinos também atingiram recordes, com 13,5 milhões e 22,3 milhões de animais, respectivamente, enquanto o efetivo suíno permaneceu praticamente estável, em 44 milhões de cabeças.
A produção de mel registrou o oitavo recorde consecutivo, alcançando 71,3 mil toneladas em 2025, crescimento de 4,5%. O Sul voltou a liderar a produção regional, com 37,1% do total nacional e aumento de 18,8% no ano. Rio Grande do Sul e Paraná foram os principais destaques. Entre os municípios, Santa Luzia do Paruá (MA), Arapoti (PR), Boa Esperança do Sul (SP), São Raimundo Nonato (PI) e Ortigueira (PR) ficaram entre os maiores produtores.
Na aquicultura, a produção de camarão chegou a 172,4 mil toneladas, crescimento de 18,2%, enquanto o valor movimentado alcançou R$ 3,6 bilhões. O Nordeste respondeu por 99,7% da produção nacional, com Ceará e Rio Grande do Norte à frente. A criação de peixes também avançou 7,1%, atingindo 783 mil toneladas e R$ 8,5 bilhões em valor de produção. A tilápia foi responsável por 68,2% desse volume, com 533,7 mil toneladas, e o Paraná concentrou 39,2% da produção nacional da espécie.
A produção de ostras, vieiras e mexilhões também cresceu e alcançou 9,9 mil toneladas, alta de 3,3% em relação a 2024. O setor movimentou R$ 135,2 milhões, com o Sul concentrando 90% da produção brasileira e Santa Catarina respondendo por 88,1%. Os dados da PPM 2025 mostram um cenário diversificado no campo: enquanto o rebanho bovino recuou, cadeias como leite, ovos, mel, camarão e peixes registraram novos recordes, reforçando o avanço da produtividade e a diversificação da produção pecuária e aquícola brasileira.
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