A partir deste sábado (1º), a gasolina comercializada em todo o Brasil passa a conter 32% de etanol anidro, em substituição aos atuais 30%. A mudança tem validade inicial de 180 dias, com possibilidade de prorrogação por igual período, conforme estabelece a Lei nº 14.993/2024, conhecida como Lei do Combustível do Futuro.
A adoção temporária da nova composição foi oficializada por resolução do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), publicada no Diário Oficial da União na quinta-feira (30). A iniciativa faz parte da estratégia do governo federal para ampliar o uso de combustíveis renováveis produzidos no país e diminuir a dependência da importação de gasolina.
Segundo o Ministério de Minas e Energia, a medida também fortalece a segurança energética nacional ao incentivar a utilização de etanol, um combustível de origem renovável e produzido em larga escala no Brasil.
A resolução estabelece ainda que a adoção permanente da gasolina com 32% de etanol, ou de percentuais superiores, dependerá da conclusão dos estudos técnicos sobre a mistura E35, limite previsto na Lei do Combustível do Futuro.
Antes da implementação, a nova mistura foi submetida a uma série de testes coordenados pelo Comitê Técnico Permanente do Combustível do Futuro, com pesquisas conduzidas pelo Instituto Mauá de Tecnologia. Os ensaios envolveram automóveis e motocicletas movidos exclusivamente a gasolina, representando diferentes modelos e tecnologias presentes na frota nacional.
Durante as avaliações, foram analisados itens como partida do motor em diferentes temperaturas, estabilidade em marcha lenta, aceleração, retomada de velocidade, dirigibilidade e funcionamento dos sistemas eletrônicos. De acordo com os resultados, os veículos apresentaram desempenho adequado, sem alterações significativas no funcionamento.
Os testes também verificaram os níveis de emissões de poluentes em veículos de duas e quatro rodas, confirmando que permanecem dentro dos limites exigidos pelo Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve).
Na análise sobre a durabilidade dos componentes dos veículos, um estudo técnico da empresa internacional AVL List GmbH apontou que a utilização da gasolina E32 não deve provocar impactos relevantes nos sistemas de combustível da frota brasileira. Ensaios específicos sobre durabilidade ficarão concentrados nas futuras avaliações envolvendo misturas com teor igual ou superior a 35% de etanol.
Os estudos contaram com a participação de representantes do governo, da indústria automotiva, fabricantes de motocicletas, produtores de biocombustíveis, setor de autopeças e entidades ligadas à mobilidade sustentável.
Com base nos resultados obtidos e nas certificações dos biocombustíveis previstas pelo programa RenovaBio, o governo concluiu que o aumento de dois pontos percentuais na mistura é tecnicamente seguro, viável e compatível com os veículos atualmente em circulação no país.
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