A economia brasileira deve registrar crescimento de 1,8% em 2026, segundo previsão divulgada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, órgão vinculado ao Ministério do Planejamento e Orçamento. A estimativa consta na Carta de Conjuntura nº 70, publicada nesta quinta-feira (9), e aponta para um cenário de moderado otimismo, apesar das incertezas no contexto internacional.
O estudo considera os impactos das tensões geopolíticas recentes, incluindo o conflito iniciado em 28 de fevereiro envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, que tem provocado instabilidade nos mercados globais e pressionado o preço internacional do petróleo. Ainda assim, o instituto avalia que a economia brasileira apresenta fundamentos internos capazes de sustentar o crescimento.
De acordo com o levantamento, o consumo das famílias segue como um dos principais impulsionadores do Produto Interno Bruto (PIB), indicador que representa a soma de todos os bens e serviços produzidos no país. O aumento real do salário mínimo e a expansão da renda disponível têm contribuído para o fortalecimento da demanda interna.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, responsável pelo cálculo oficial do PIB, também destaca o papel central do consumo das famílias na dinâmica econômica nacional. Além disso, a ampliação do crédito pelo sistema financeiro favorece o investimento privado, outro componente relevante para o crescimento econômico.
Política fiscal e gastos públicos
O Ipea avalia que o setor público continuará seguindo as diretrizes do novo arcabouço fiscal, caracterizado pela combinação de crescimento das receitas e ampliação dos gastos sociais. Entre os fatores que influenciam essa dinâmica estão a política de valorização do salário mínimo e a reindexação dos gastos com saúde à receita corrente líquida da União.
Essas medidas tendem a estimular a atividade econômica, reforçando a rede de proteção social e incentivando o consumo, o que contribui para a manutenção do ritmo de crescimento do PIB.
Comércio exterior e cenário internacional
No campo externo, o instituto projeta que o comércio internacional poderá ser beneficiado por políticas fiscais expansionistas em diversas economias, especialmente devido ao aumento de investimentos em inteligência artificial e aos gastos com armamentos relacionados ao conflito no Oriente Médio.
Como referência histórica, o Ipea lembra que, mesmo após a eclosão da guerra na Ucrânia em fevereiro de 2022, o comércio mundial apresentou crescimento de 5,8% naquele ano, demonstrando a resiliência das trocas internacionais diante de cenários adversos.
Desempenho em quadriênios
O instituto também destacou o desempenho econômico recente do país. Em 2024, a previsão de crescimento do PIB feita pelo Ipea, de 2,3%, foi confirmada. Caso a estimativa de 1,8% para 2026 se concretize, o crescimento acumulado entre 2023 e 2026 deverá alcançar 10,7%.
Esse resultado seria superior ao observado no quadriênio anterior (2019-2022), que registrou expansão total de 5,7%, e também ligeiramente acima do período de 2015 a 2018, quando o crescimento acumulado foi de 9,9%.
Perspectivas para 2027
Para 2027, o Ipea projeta uma aceleração moderada da economia brasileira, com crescimento estimado em 2%. A expectativa reforça a visão de estabilidade e continuidade da expansão econômica, sustentada por fundamentos internos sólidos e políticas públicas voltadas ao desenvolvimento.
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