A inflação oficial do país, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), registrou alta de 0,70% em fevereiro, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
O resultado representa uma aceleração em relação a janeiro, quando o índice ficou em 0,33%. Apesar disso, é o menor resultado para um mês de fevereiro desde 2020, quando a inflação foi de 0,25%. No mesmo mês de 2025, o IPCA havia alcançado 1,31%.
De acordo com o gerente da pesquisa, Fernando Gonçalves, o principal impacto no índice de fevereiro veio do grupo Educação, impulsionado pelos reajustes das mensalidades escolares no início do ano letivo.
“Na comparação com o ano anterior, Educação acelerou ao registrar 5,21% em fevereiro de 2026 contra 4,70% em fevereiro de 2025”, explicou.
Educação e transportes puxam alta
O grupo Educação registrou variação de 5,21% e respondeu sozinho por cerca de 44% da inflação do mês. O aumento foi motivado principalmente pelos cursos regulares, que tiveram alta de 6,20%.
Entre os maiores reajustes estão:
- ensino médio: 8,19%;
- ensino fundamental: 8,11%;
- pré-escola: 7,48%.
O grupo Transportes também teve impacto relevante no índice, com alta de 0,74%, influenciado principalmente pelo aumento de 11,40% nas passagens aéreas. Também registraram elevação o seguro voluntário de veículos (5,62%), o conserto de automóvel (1,22%) e o ônibus urbano (1,14%).
Juntos, os grupos Educação e Transportes responderam por cerca de 66% do resultado da inflação em fevereiro.
Queda em combustíveis e alimentos
Entre os combustíveis, o índice geral ficou em -0,47%, com quedas na gasolina (-0,61%) e no gás veicular (-3,10%). Já o etanol (0,55%) e o óleo diesel (0,23%) apresentaram aumento.
No grupo Alimentação e bebidas, a variação foi de 0,26%, ligeiramente acima do registrado em janeiro (0,23%).
Alguns produtos apresentaram alta significativa, como:
- açaí (25,29%);
- feijão-carioca (11,73%);
- ovo de galinha (4,55%);
- carnes (0,58%).
Por outro lado, houve queda nos preços de itens importantes da cesta de consumo, como frutas (-2,78%), óleo de soja (-2,62%), arroz (-2,36%) e café moído (-1,20%).
Segundo o IBGE, o arroz já acumula queda de 27,86% nos últimos 12 meses, influenciado pela boa oferta do cereal no mercado.
Outros grupos
O grupo Saúde e cuidados pessoais registrou alta de 0,59%, com destaque para os artigos de higiene pessoal (0,92%) e planos de saúde (0,49%).
Já Habitação teve variação de 0,30% em fevereiro, após queda de 0,11% em janeiro. O resultado foi influenciado principalmente pelo aumento nas taxas de água e esgoto em cidades como Porto Alegre, Belo Horizonte, Campo Grande e São Paulo.
A energia elétrica residencial subiu 0,33%, mesmo com a manutenção da bandeira tarifária verde.
Variação regional
Entre as capitais analisadas, a maior variação do IPCA em fevereiro foi registrada em Fortaleza, com alta de 0,98%, influenciada pelos cursos regulares e pela gasolina.
Já a menor variação ocorreu em Rio Branco, com 0,07%, resultado impactado pela queda da energia elétrica residencial e do preço do automóvel novo.
INPC também registra alta
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) registrou alta de 0,56% em fevereiro, acima do resultado de janeiro (0,39%).
No acumulado do ano, o INPC apresenta alta de 0,95% e, nos últimos 12 meses, o índice ficou em 3,36%, abaixo dos 4,30% registrados no período imediatamente anterior.
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