A inflação oficial do país perdeu força em junho e registrou alta de apenas 0,16%, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado representa uma desaceleração significativa em relação a maio, quando o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) havia avançado 0,58%. Também ficou abaixo da taxa de 0,24% registrada no mesmo mês do ano passado.
Com o resultado, o IPCA acumula alta de 3,36% em 2026. Nos últimos 12 meses, a inflação passou de 4,72% para 4,64%, indicando uma leve redução da pressão inflacionária no período.
O principal fator para a desaceleração foi a queda dos preços dos alimentos e bebidas, grupo que recuou 0,24% em junho após registrar alta de 1,33% em maio. A redução foi impulsionada principalmente pelos preços mais baixos do café moído, das frutas e das carnes.
Entre os produtos que ficaram mais caros no mês destacam-se o feijão-carioca, com aumento de 8,31%, e a batata-inglesa, que subiu 3,57%.
Apesar da queda dos alimentos, o grupo Habitação apresentou a maior influência sobre o índice do mês, com alta de 0,63%. A energia elétrica residencial continuou sendo o principal fator de pressão, refletindo a manutenção da bandeira tarifária amarela e reajustes autorizados em diversas concessionárias do país.
Também contribuíram para o aumento dos custos os reajustes nas tarifas de água e esgoto em algumas capitais brasileiras, enquanto o gás encanado apresentou redução nos preços.
O grupo Transportes avançou 0,17% em junho. A principal alta veio das passagens aéreas, que registraram aumento de 7,12%.
Por outro lado, os combustíveis ficaram mais baratos. O etanol apresentou a maior queda, seguido pelo óleo diesel, gás veicular e gasolina, contribuindo para amenizar o impacto do transporte sobre a inflação. Os grupos Saúde e Cuidados Pessoais e Despesas Pessoais também registraram aumento nos preços.
Produtos de higiene pessoal, especialmente perfumes, ficaram mais caros. Já os planos de saúde refletiram a incorporação do reajuste autorizado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Entre os serviços, houve aumento nos custos com empregados domésticos, cabeleireiros e barbeiros.
As refeições realizadas fora do domicílio continuaram mais caras, porém em ritmo menor. Tanto refeições quanto lanches registraram desaceleração em comparação com maio, indicando uma redução na velocidade dos reajustes praticados por bares e restaurantes.
Entre as regiões pesquisadas pelo IBGE, Brasília apresentou a maior inflação em junho, com avanço de 0,52%, influenciada principalmente pelas passagens aéreas e pelos combustíveis.
Já Recife registrou a menor variação, com queda de 0,04%, favorecida pela redução dos preços do tomate e da gasolina.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação para famílias com renda entre um e cinco salários mínimos, também desacelerou.
O indicador ficou em 0,14% em junho, abaixo dos 0,65% registrados em maio. No acumulado do ano, o índice soma alta de 3,51%, enquanto a inflação dos últimos 12 meses recuou para 4,33%.
Assim como no IPCA, a redução dos preços dos alimentos foi o principal fator para o resultado do INPC, compensando parcialmente os aumentos registrados em serviços públicos e despesas essenciais.
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