A cadeia produtiva da malva, planta nativa da Amazônia utilizada na fabricação de fibras têxteis, receberá um importante incentivo para modernização e expansão. A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), aprovou um investimento de R$ 15,2 milhões para apoiar um projeto voltado à estruturação e ao fortalecimento da atividade na região amazônica.
A iniciativa foi apresentada pela Companhia Têxtil de Castanhal (CTC), empresa paraense com mais de quatro décadas de atuação na produção de fibras naturais e derivados da juta. O projeto prevê a introdução de novas tecnologias para aumentar a produtividade, melhorar as condições de trabalho das comunidades produtoras e ampliar o valor agregado dos produtos fabricados com a fibra da malva.
A malva é cultivada principalmente por famílias ribeirinhas da Amazônia, que realizam o plantio e a colheita em áreas de várzea. O ciclo produtivo acompanha o regime dos rios: as sementes são lançadas quando as águas recuam e a colheita ocorre com a chegada das cheias.
Após o corte das plantas, os produtores realizam um processo artesanal de imersão em água para facilitar a retirada das fibras, que posteriormente são secas em varais improvisados. A falta de equipamentos adequados para colheita, transporte, armazenamento e beneficiamento ainda representa um dos principais desafios da atividade.
Além das dificuldades estruturais, o mercado consumidor permanece restrito, concentrado principalmente na produção de sacarias agrícolas, cordas, tapetes e revestimentos.
O plano financiado pela Finep contempla uma série de ações para modernizar a cadeia produtiva da malva.
Entre as medidas previstas estão estudos para o aprimoramento genético das espécies cultivadas, desenvolvimento de máquinas para colheita e beneficiamento, implantação de sistemas digitais de gestão da produção e avaliação de mecanismos financeiros capazes de ampliar a escala produtiva.
O projeto também inclui a criação de modelos de negócios comunitários que possam ser replicados em diferentes territórios amazônicos, além da realização de testes e pesquisas para obtenção de fibras de maior qualidade e valor comercial.
Segundo a Finep, a proposta busca gerar impactos positivos tanto para os produtores quanto para a indústria têxtil nacional.
A expectativa é que a modernização dos processos aumente a produtividade, reduza perdas, fortaleça a geração de renda para comunidades ribeirinhas e permita a fabricação de produtos mais sofisticados e competitivos no mercado nacional e internacional.
Recentemente, a fibra de malva ganhou destaque internacional após ser utilizada na confecção de um vestido usado pela atriz brasileira Alice Carvalho durante a cerimônia do Oscar, nos Estados Unidos. A peça foi produzida pela Companhia Têxtil de Castanhal a partir da combinação de fibras de juta e malva.
Investimento total supera R$ 25 milhões
O valor total do projeto é de R$ 25,7 milhões. Desse montante, R$ 15,2 milhões serão financiados pela Finep por meio de recursos não reembolsáveis destinados à inovação e ao desenvolvimento regional na Amazônia.
Além da Companhia Têxtil de Castanhal, participam da iniciativa importantes instituições de pesquisa e inovação, como a Universidade Federal da Amazônia, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA).
Também integram o projeto as empresas Bioverse, Supernova, MGK Equipamentos e LABB41.
Bioeconomia ganha impulso na região amazônica
A iniciativa faz parte da estratégia federal de incentivo à bioeconomia, modelo que busca promover o desenvolvimento sustentável a partir do uso responsável dos recursos naturais.
Ao apoiar a inovação em cadeias produtivas tradicionais da Amazônia, o projeto pretende fortalecer a economia regional, estimular a geração de empregos e ampliar a presença de produtos amazônicos em mercados de maior valor agregado, contribuindo para o desenvolvimento sustentável da região.
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