Mesmo sob forte regulação, as cooperativas de crédito registram crescimento expressivo no Brasil, superando o desempenho do sistema bancário tradicional. Presente em mais de três mil municípios, o setor se consolidou como uma das principais formas de inclusão financeira no país.
Durante a 46ª edição da LiveBC, Adalberto Felinto da Cruz Junior, chefe do Departamento de Supervisão de Cooperativas e de Instituições Não Bancárias (Desuc) do Banco Central (BC), e Ivens Arua Neves de Miranda, chefe-adjunto, detalharam a evolução das cooperativas no Sistema Financeiro Nacional (SFN), sua importância social e os desafios futuros.
O ano de 2025 marca o Ano Internacional das Cooperativas, declarado pela ONU, e os 20 anos de criação do Desuc, conferindo à live um significado especial.
Crescimento acelerado e presença regional
Segundo dados do BC, o Sistema Nacional de Crédito Cooperativo (SNCC) cresceu 21% em 2024, quase o dobro do 13% registrado pelo sistema financeiro tradicional. Esse crescimento ocorre principalmente em regiões onde bancos convencionais não atuam: cerca de 500 municípios brasileiros contam apenas com cooperativas de crédito.
“Atualmente, o setor possui mais de dez mil postos de atendimento e mais de 20 milhões de cooperados, números que devem crescer frente ao papel de inclusão social dessas instituições”, destacou Felinto. Miranda acrescentou que o modelo democrático exige proximidade com os cooperados para compreender suas necessidades.
Além disso, o setor atua de forma anticíclica, mantendo a concessão de crédito mesmo em momentos de retração do sistema financeiro tradicional. “O cooperado não é cliente, ele é dono, o que fortalece a governança democrática e a confiança na instituição”, explicou Felinto.
Inclusão financeira e desenvolvimento local
As cooperativas não apenas oferecem crédito mais acessível, mas também promovem inclusão social. Dados mostram que municípios com presença cooperativa tendem a apresentar maior riqueza, desenvolvimento e menor pobreza.
O setor se destaca na concessão de crédito para pessoas físicas sem consignação, micro e pequenas empresas, e crédito rural, segmentos nos quais bancos tradicionais atuam de forma mais conservadora. Além disso, muitas cooperativas investem em educação, saúde e infraestrutura local, mantendo recursos gerados na própria comunidade.
Regulação e governança
O BC supervisiona intensamente o setor, garantindo solidez e transparência. As cooperativas seguem as mesmas regras prudenciais dos bancos, incluindo requisitos de capitalização, liquidez e normas internacionais, e contam com camadas adicionais de supervisão, auditorias independentes e o Fundo Garantidor do Cooperativismo de Crédito (FGCoop), que protege depósitos de até R$250 mil.
O setor também integra os pilares da Agenda BC#, abrangendo inclusão, competitividade, transparência, educação e sustentabilidade.
Desafios da digitalização
O principal desafio do setor é conciliar a base local e o contato presencial com a digitalização dos serviços financeiros. A atuação híbrida, que combina presença física e digital, é apontada pelo BC como a estratégia ideal para promover eficiência, inclusão financeira e educação financeira, evitando o superendividamento.
Miranda ressaltou ainda a importância da capacitação e certificação de conselheiros e dirigentes, reforçando a governança e a sustentabilidade do sistema cooperativo.
O Banco Central enfatiza que as cooperativas de crédito são essenciais para o desenvolvimento regional e inclusão financeira, oferecendo soluções que o sistema bancário tradicional não alcança.
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