O governo brasileiro voltou a criticar a possibilidade de os Estados Unidos ampliarem tarifas sobre produtos brasileiros e classificou a medida como injusta e sem fundamento econômico. A manifestação foi feita pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), na véspera da decisão americana sobre a adoção de novas barreiras comerciais.
A posição foi divulgada após a quinta reunião entre representantes brasileiros e o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), responsável por conduzir a investigação aberta com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana.
A apuração dos Estados Unidos busca avaliar supostas práticas comerciais consideradas desleais por Washington. Entre os pontos levantados estão o funcionamento do sistema de pagamentos Pix, questões relacionadas ao combate ao desmatamento ilegal na cadeia produtiva agrícola, a regulamentação das plataformas digitais e normas envolvendo minerais considerados estratégicos.
Segundo o governo brasileiro, equipes técnicas apresentaram propostas para solucionar os questionamentos durante as negociações. No entanto, relatos indicam que os representantes norte-americanos têm mantido posição rígida desde o início das conversas, sem considerar os argumentos e dados apresentados pelo Brasil.
Nos bastidores do Palácio do Planalto, a avaliação é de que uma eventual recomendação pela adoção das tarifas possa ter motivações políticas, reduzindo as expectativas de um adiamento da decisão.
Mesmo diante desse cenário, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva orientou a equipe econômica e diplomática a manter o diálogo com o governo dos Estados Unidos e buscar canais diretos de negociação, evitando o rompimento das tratativas comerciais.
O governo brasileiro também destaca a importância da relação econômica entre os dois países. Os Estados Unidos ocupam a posição de segundo maior parceiro comercial do Brasil e contam com amplo acesso ao mercado brasileiro. Segundo o MDIC, oito dos dez principais produtos exportados pelos norte-americanos para o Brasil entram no país sem incidência de tarifas, enquanto a tarifa média aplicada às importações vindas dos EUA é de aproximadamente 3%.
A expectativa agora é pela decisão das autoridades norte-americanas sobre a continuidade da investigação e a possível adoção de novas tarifas sobre produtos brasileiros, medida que poderá impactar as relações comerciais entre as duas maiores economias do continente.
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