Gilbert Wagner Antunes Lopes, conhecido como “Waguinho”, foi preso nesta terça-feira, 14 de julho, no bairro Engenho, em Itaguaí, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. O ex-integrante da Aeronáutica figurava na relação de procurados da Justiça do Espírito Santo.
A captura foi realizada por policiais civis da 50ª Delegacia de Polícia, responsável pela região de Itaguaí. Segundo as informações divulgadas, a operação ocorreu após aproximadamente dois meses de monitoramento, trabalho de inteligência e troca de dados entre as polícias civis do Rio de Janeiro e do Espírito Santo.
As diligências teriam começado depois que os investigadores identificaram que o foragido buscava abrigo em locais relacionados a integrantes de uma milícia com atuação em Chaperó, distrito de Itaguaí. Durante o período de buscas, ele teria utilizado diferentes endereços e circulado por vários municípios fluminenses para dificultar a localização.
Dias antes da prisão, Gilbert foi localizado em Mangaratiba, na Costa Verde do Rio, mas conseguiu escapar ao se misturar ao público presente em um evento. O monitoramento continuou até que os agentes voltaram a encontrá-lo e cumpriram o mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça capixaba.
ACUSAÇÃO ENVOLVE MORTE DE VEREADOR
Gilbert Wagner é investigado por supostamente ter ordenado o assassinato do vereador Marcos Augusto Costalonga, conhecido como Marquinhos da Cooperativa, de Presidente Kennedy, no sul do Espírito Santo.
O parlamentar foi morto a tiros em 27 de maio de 2021, quando voltava de uma partida de futebol acompanhado da esposa e de um amigo. O veículo conduzido por ele foi atingido por diversos disparos. Marquinhos morreu no local, enquanto os acompanhantes ficaram feridos.
Segundo a versão apresentada pela Polícia Civil capixaba, a motivação estaria relacionada a uma dívida decorrente da venda de mourões utilizados em construções. A investigação sustenta que o vereador teria cobrado o pagamento e ameaçado buscar o bloqueio de repasses destinados a uma empresa ligada ao devedor.
Gilbert nega ter ordenado o homicídio. A acusação ainda deverá ser analisada pela Justiça, com direito ao contraditório e à ampla defesa. O cumprimento da prisão preventiva não representa condenação definitiva.
APELIDO E SUSPEITA DE LIGAÇÃO COM MILÍCIA
O ex-militar era apresentado pelas autoridades capixabas como um dos integrantes de milícia mais procurados do Espírito Santo. O nome dele também constava no sistema oficial do Disque-Denúncia 181, mantido pela Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do estado.
A Polícia Civil investiga uma possível ligação do suspeito com grupos paramilitares. Conforme informações divulgadas durante as buscas, o apelido “Batman” teria relação com um antigo integrante de milícia que atuou na Zona Oeste do Rio de Janeiro.
A utilização do termo “miliciano” pelas autoridades não permite concluir, sem acesso integral ao processo, que o grupo atribuído a Gilbert tivesse a mesma estrutura, domínio territorial ou capacidade econômica das grandes milícias que operam em comunidades fluminenses.
TRAJETÓRIA NO SUL DO ESPÍRITO SANTO
Antes de se tornar procurado, Gilbert teve atuação empresarial e manteve relações com representantes políticos e agentes públicos do sul capixaba. Também esteve ligado a atividades empresariais realizadas em Presidente Kennedy.
Após romper com antigos aliados, passou a divulgar vídeos, gravações e documentos nos quais afirmava ter informações sobre supostas irregularidades envolvendo contratos e recursos públicos no município.
Em algumas dessas manifestações, Gilbert alegou possuir elementos relacionados a um suposto desvio de aproximadamente R$ 200 milhões. Também afirmou que teria encaminhado um dossiê a órgãos federais de investigação e controle.
Essas declarações são acusações feitas pelo próprio investigado e não devem ser apresentadas como fatos comprovados. Até o momento, não há confirmação pública de que ele tenha celebrado acordo de colaboração premiada ou de que as denúncias tenham sido reconhecidas pelas autoridades como verdadeiras.
A prisão também não comprova nem invalida automaticamente as alegações feitas por Gilbert. A investigação sobre o homicídio e eventuais apurações sobre recursos públicos devem ser tratadas como frentes independentes.
PRÓXIMOS PASSOS
Após os procedimentos realizados no Rio de Janeiro, o preso permanecerá à disposição da Justiça. A defesa poderá pedir a revogação da prisão preventiva ou sua substituição por outras medidas cautelares.
O fato de Gilbert ter sido capturado e deixado de ser considerado foragido não determina sua libertação automática. Caberá ao juízo responsável pelo processo avaliar se permanecem os fundamentos utilizados para decretar a prisão.
Também não há confirmação oficial de que ele será ouvido por autoridades fluminenses sobre as denúncias divulgadas durante o período em que permaneceu escondido.
Caso apresente informações sobre possíveis crimes, os relatos deverão ser formalizados, acompanhados de provas e encaminhados às instituições competentes. Uma eventual colaboração premiada dependerá da participação do Ministério Público, da assistência da defesa e da homologação judicial.
A prisão encerra uma busca que mobilizou as forças de segurança de dois estados, mas ainda deixa questões abertas sobre o assassinato de Marquinhos da Cooperativa, a eventual participação de outras pessoas e as denúncias apresentadas pelo ex-militar.
Compartilhe este conteúdo do Giro Capixaba, o melhor site de notícias do Estado do Espírito Santo.
Siga o GIRO CAPIXABA no Instagram




