O Ministério da Saúde interrompeu temporariamente a estratégia de vacinação contra a dengue com o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan. A decisão foi adotada de forma preventiva após a identificação de eventos adversos raros em pessoas que receberam a vacina.
Segundo o governo federal, foram registrados 42 casos com sinais de alerta, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramentos. Entre eles, três foram classificados como graves, incluindo dois óbitos. Apesar da suspensão, o Ministério da Saúde afirma que ainda não há conclusão sobre uma possível relação direta entre a vacina e os episódios investigados.
A medida vale apenas para a vacina Butantan-DV. A Qdenga, imunizante fabricado pela Takeda e utilizado no SUS para outro público, não foi incluída na suspensão e continua seguindo a estratégia nacional de vacinação.
De acordo com o Ministério da Saúde, cerca de 500 mil doses da vacina do Butantan foram aplicadas até 30 de maio. Os eventos investigados correspondem a 0,008% do total de pessoas vacinadas, segundo a pasta. A suspensão, portanto, foi definida como uma medida de cautela para permitir uma análise mais detalhada dos casos.
A vacinação com a Butantan-DV havia começado em janeiro de 2026, com foco em profissionais da Atenção Primária à Saúde e em estratégias ampliadas em municípios selecionados. A vacina é de dose única e foi aprovada pela Anvisa para pessoas de 12 a 59 anos.
A investigação será conduzida com participação do Ministério da Saúde, da Anvisa, do Instituto Butantan e de comitês técnicos de farmacovigilância. Os especialistas deverão avaliar prontuários, histórico clínico dos pacientes, possíveis doenças preexistentes, fatores de risco, causas alternativas e a relação temporal entre a aplicação da vacina e o início dos sintomas.
O governo orienta que as doses já distribuídas sejam mantidas armazenadas em rede de frio, sem descarte neste momento. A retomada da vacinação dependerá do avanço das análises técnicas e de uma nova decisão das autoridades sanitárias.
O Instituto Butantan informou que acompanha a apuração e que a interrupção temporária tem o objetivo de reavaliar a estratégia vacinal com segurança. Dados divulgados anteriormente pela instituição apontaram eficácia geral de 74,7%, proteção de 91,6% contra dengue grave e com sinais de alarme, além de 100% contra hospitalizações nos estudos analisados.
Quem tomou a vacina deve ficar atento, principalmente nos 21 dias seguintes à aplicação. A recomendação é procurar atendimento médico em caso de febre, dor abdominal forte e contínua, vômitos persistentes, tontura, sangramentos, sonolência intensa, irritabilidade, sinais de desidratação ou piora do estado geral.
A dengue continua sendo uma das principais preocupações de saúde pública no país. Mesmo com a suspensão temporária dessa estratégia vacinal, as autoridades reforçam a importância do combate ao mosquito Aedes aegypti, com eliminação de água parada, limpeza de quintais, descarte correto de lixo e atenção a possíveis criadouros.
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