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Idosos assumem papel central na renda de quase um terço dos lares brasileiros

Cerca de 22 milhões de domicílios têm pessoas com 60 anos ou mais como responsáveis; mulheres são maioria e milhões de idosos continuam trabalhando mesmo após a aposentadoria.

redação Por redação
07/10/2026 - 19:34
em D+NEWS
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Levantamento da Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados, elaborado a partir de informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do IBGE, aponta que 21,6 milhões de domicílios brasileiros são chefiados por pessoas com 60 anos ou mais. O número corresponde a 32% dos lares do país.

Em números arredondados, são cerca de 22 milhões de residências em que a geração 60+ ocupa a posição de principal responsável. A renda que mantém essas famílias vem de diferentes fontes, como aposentadorias, pensões, salários e atividades informais.

Mulheres são maioria entre responsáveis pelos lares

O levantamento mostra que as mulheres idosas têm participação especialmente expressiva nessa nova configuração das famílias.

Dos 21,6 milhões de domicílios chefiados por pessoas com 60 anos ou mais, 11,7 milhões têm uma mulher como responsável. Outros 9,9 milhões são comandados por homens dessa faixa etária.

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A influência financeira dos mais velhos é ainda maior quando são consideradas as decisões sobre o orçamento. Em 87% dos domicílios onde há moradores com 60 anos ou mais, eles administram os recursos sozinhos ou dividem essa responsabilidade com outros integrantes da família.

Isso significa que o protagonismo dessa população vai além de ser formalmente identificada como responsável pelo domicílio.

Aposentadoria nem sempre significa deixar de trabalhar

Parte significativa da população idosa continua no mercado de trabalho mesmo depois de alcançar a idade de aposentadoria.

Dados divulgados pelo IBGE mostram que 24,4% das pessoas com 60 anos ou mais estavam ocupadas em 2024, o maior percentual da série histórica iniciada em 2012. A população idosa brasileira, por sua vez, passou de 22 milhões em 2012 para 34,1 milhões em 2024.

O levantamento mais recente da Nexus aponta cerca de 8,5 milhões de pessoas com 60 anos ou mais trabalhando. O contingente equivale a aproximadamente 24% dessa população.

Para uma parcela desses trabalhadores, continuar em atividade é uma maneira de complementar a aposentadoria ou a pensão. Em outros casos, o dinheiro adicional é necessário para ajudar filhos, netos e outros parentes que vivem na mesma casa.

Mais da metade dos idosos ocupados empreende

Outra característica chama atenção: a forte presença dos mais velhos no trabalho por conta própria.

Entre os aproximadamente 8,5 milhões de trabalhadores com 60 anos ou mais, 50,6% atuam como empreendedores. O universo corresponde a cerca de 4 milhões de pessoas.

A informalidade, entretanto, permanece elevada. Entre os empreendedores idosos, aproximadamente 72% trabalham sem CNPJ, segundo o levantamento.

São pequenos comerciantes, prestadores de serviços e profissionais autônomos que continuam trabalhando mesmo depois dos 60 anos.

Renda média chega a R$ 3,8 mil

O estudo também identificou que as pessoas com 60 anos ou mais apresentam a maior renda média mensal entre as faixas etárias analisadas.

Em 2025, o rendimento médio desse grupo chegou a R$ 3.865.

O dado, porém, esconde um movimento importante. Entre 2016 e 2025, a renda média real da população 60+ caiu 4%, já descontada a inflação. No mesmo período, o rendimento médio da população brasileira avançou 13%.

O resultado ajuda a mostrar uma contradição: ao mesmo tempo em que aumenta a responsabilidade financeira dos mais velhos dentro das famílias, parte dessa população precisa administrar um orçamento que perdeu poder de compra ao longo dos últimos anos.

Filhos e netos também dependem dessa renda

A contribuição dos idosos não se limita às próprias despesas.

Em muitas famílias, aposentadorias, pensões e salários da população mais velha ajudam a pagar alimentação, aluguel, energia, medicamentos e outras contas compartilhadas.

A situação se torna ainda mais importante quando filhos adultos enfrentam desemprego, informalidade ou trabalhos temporários.

Aos 75 anos, por exemplo, Glória Neves de Souza, personagem de reportagem exibida pela TV Brasil, já é aposentada, mas continua trabalhando como auxiliar de limpeza e vendendo alimentos para complementar a renda. Parte do dinheiro também ajuda o filho de 40 anos, que depende de trabalhos temporários.

Histórias como essa ajudam a traduzir os números: envelhecer no Brasil nem sempre significa deixar de sustentar outras gerações.

Envelhecimento muda estrutura econômica das famílias

O fenômeno tende a ganhar ainda mais relevância à medida que a população brasileira envelhece.

Entre 2012 e 2024, o contingente de pessoas com 60 anos ou mais aumentou em mais de 12 milhões, chegando a 34,1 milhões de brasileiros.

Ao mesmo tempo, famílias menores, mudanças no mercado de trabalho e dificuldades enfrentadas pelas gerações mais jovens ampliam a importância de rendimentos considerados mais estáveis, principalmente aposentadorias e pensões.

O resultado aparece dentro de casa: a geração que durante décadas foi vista principalmente como destinatária de cuidados tornou-se, em milhões de famílias, uma das principais bases de sustentação financeira.

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Tags: #envelhecimento#Geração60Mais#MercadoDeTrabalho#PNAD#RendaFamiliar#TerceiraIdadeAposentadoriaBrasilIBGEidosos
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